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quarta-feira, 18 de maio de 2011

Compartilhando tarefas

estou-ficando-sobrecarregadaQuando trabalhamos fora às vezes nos sentimos sobrecarregadas – ou pelo menos eu às vezes me sinto assim. Acontece de me sentir como se estivesse atolada até o pescoço em responsabilidades, sendo cobrada e pressionada a todo momento e de todos os lados.

Quando começamos a nos sentir dessa forma é hora de parar e respirar. Vamos reavaliar nossas tarefas e obrigações diárias e talvez você chegue à mesma conclusão que eu: assumimos mais responsabilidades do que podemos cumprir.

Abarcar o mundo com os braços

Acho que as mulheres não nasceram com aquele botão de “stop” que os homems parecem ter e usar sempre que possível. Se temos que ir ao banco, pagar as contas, fazer hora extra no escritório, levar o bebê ao pediatra e entrevistar candidatas a babá e o marido pede que levemos o carro à oficina para uma revisão, em vez de: “hoje não dá, essa semana não dá, nessa vida não dá”, dizemos sorridentes:

- Pode deixar comigo que eu “dou um jeito”.

Claro que vamos nos arrepender amargamente desse momento durante a semana, todas as vezes que o marido perguntar se levamos o carro à maldita oficina e tivermos que admitir que infelizmente a kriptonita fez com que perdêssemos nossos superpoderes e por isso não foi possível.

maquiagem-mulher-maravilhaSíndrome de superherói

Acho que no fundo toda mulher queria ser a Mulher Maravilha quando era criança – e continua querendo. Vai querendo, minha filha, vai querendo. Mas tenha em mente que a Mulher Maravilha era ficção, que não dá pra fazer tudo ao mesmo tempo, que dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço (ou para nossa situação, um corpo não ocupa dois lugares ao mesmo tempo) e a não ser que você providencie urgentemente um clone (ou dois, três) vai ficar sempre devendo – e sendo cobrada.

Cobranças

As cobranças cansam, mas só é cobrado quem se comprometeu a fazer. Se você (como parece que toda mulher) não consegue dizer um “não” bem redondo assim na lata e com cara de poucos amigos – tipo “não insista porque não vai rolar”, comece treinando com um “talvez”.

“Talvez” não dói e não concede ao outro o direito de cobrar depois. Afinal você disse “talvez” e “talvez” implica que “pode ser que sim, pode ser que não”.

Mesmo assim – claro – uma cobrança implícita vai rolar, portanto o melhor é partir do “talvez” para nuances personalizadas de “não”:

- Essa semana não dá.

- Esse mês não dá.

- Nessa vida não dá.

Cada um por si

E não complete “e eu por todos”. Seria impossível, portanto contente-se em fazer o que precisa fazer e ninguém fará por você. Não se sobrecarregue porque além de não conseguir fazer, vai ter que aturar a cobrança de cabeça baixa e resignada com sua incompetência para exercer os superpoderes que nem você nem eu temos.

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quinta-feira, 10 de junho de 2010

O que é "assédio sexual"?

Como saber se a cantada do chefe é assédio sexual? Por definição assédio sexual é fazer uso do cargo ou autoridade sobre funcionário subalterno para obter favores sexuais. Se você deu bola pro chefe e ele a convidou pra sair, isso por si só não caracteriza assédio sexual. Pode ser antiético, mas assédio também pode não ser.

Agora, se o seu chefe ao menos insinuar, ou contar uma história comprida sobre uma funcionária que ele cantou e não topou e foi demitida, você está sofrendo assédio.

Normalmente quando sofremos assédio sexual (e quem é que já não sofreu?) algo em nosso interior dispara um alarme e nos sentimos desconfortavelmente constrangidas. Se começamos a "pisar em ovos" é porque lá no fundo sabemos que um "não" pode implicar em retaliações.

O problema do assédio sexual é que se não for devidamente provado (ao reclamante cabe o ônus da prova) a coisa não irá adiante e aí sim você sofrerá as consequências. Outras funcionárias que já "cederam à pressão", longe de apoiarem, podem não querer contar o que sofreram (afinal ninguém ficou sabendo e já é passado). 

Na verdade até eventuais testemunhas irão jurar de mãos sobre a Bíblia (as duas mãos se possível) que não viram nem ouviram nada, que não sabem de nada e que você é uma doida varrida, dessas de hospício mesmo, que tomam Gardenal pra não babar em cima da mesa, porque também querem preservar o emprego. Um chefe capaz de demitir uma funcionária que se negou a conceder favores sexuais também irá demitir qualquer um que testemunhar contra ele.

Infelizmente no Brasil até as vítimas de estupro são vistas com desconfiança, ainda prevalece a visão machista de que se o homem avançou é porque "a mulher deu corda", "deu entrada", "não se comportou como devia", "não se vestia como devia", e outras desculpas esfarrapadas que não justificam absolutamente nada.

Na verdade não interessa (ou não devia interessar) a roupa que você veste ou se é mais ou menos simpática. Se o chefe resolveu usar seu "poder" sobre você como funcionária para "forçá-la" a fazer algo que não quer fazer, é um canalha. 

Enquanto nós nos calarmos e cedermos, estamos dando nosso respaldo e contribuindo para que os canalhas como esse continuem sempre se saindo bem. Coragem, denuncie! Enfrente, ponha o salafrário em seu devido lugar. Se no final das contas você acabar sendo demitida, garanto que emprego a gente arranja outro mas os nossos valores, uma vez deixados de lado por causa de ameaças, pressão ou o que seja, infelizmente serão bem mais difíceis de restaurar.

Como eu disse lá no começo, a maioria de nós (infelizmente) sofre, sofreu ou sofrerá assédio sexual, de forma velada ou na cara dura mesmo. Será que vale a pena abrir mão de algo em que você acredita por causa de um emprego? Não sei quanto a você, mas garanto que "moral, virtude, sinceridade, honestidade", para mim têm mais valor que um emprego ou uma promoção. E cada vez que uma de nós cede, abre caminho para que muitas outras sejam pressionadas no futuro. Portanto, pense bem. Pense por você, e também por todas nós.

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segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Espelho, espelho meu

Antigamente não havia muitos recursos para cuidar da beleza, a tecnologia não havia encontrado ainda as fórmulas mágicas para combater as acnes e flacidezes da vida. Hoje temos tudo a nosso favor, milhares de fórmulas e formas de permanecer para sempre com rostinho de porcelana e corpinho de ninfa.

Há mulheres que pagam um alto preço para manter a forma, algumas pagam até com a vida, mas eu acho que tudo tem um limite. Preocupar-se com a aparência e tomar cuidados com ela, lançando mão da tecnologia acho normal, o que não acho normal é a verdadeira obsessão que algumas têm quanto ao próprio físico.

Eu tinha uma aluna que entrava em profunda depressão e recusava-se a comer por semanas se ganhasse um quilo. Como ela há outras que supervalorizam a aparência a acabam esquecendo-se do resto: preparar-se para uma profissão, cultivar o espírito, as amizades e integrar-se à sociedade de forma natural e saudável.

Se tudo o que você faz começa ou termina na academia ou no salão de beleza, está na hora de repensar seus valores. Será que você não está deixando de lado coisas importantes e supervalorizando algo que não é eterno e mais cedo ou mais tarde - isso você cuidando ou não - irá se deteriorar?

Não se apegue só à sua aparência, porque se ela for tudo o que você tem, quando ela se for o que sobrar de você valerá o que?

Leia também:
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domingo, 28 de dezembro de 2008

Vão-se os dedos...

Hoje em dia pagamos um preço alto pelo papel que hoje desempenhamos na sociedade, já não somos mais dependentes de maridos e pais, podemos ir à luta e construir nossas carreiras, nossas compras...

Se por um lado isso é muito bom, por outro lado perdemos coisas que nossas avós tinham e que lhes davam muito prazer. Já não acompanhamos o crescimento de nossos filhos, que passam parte do dia com babás ou na creche. Nem sempre temos disposição para uma noite de amor, depois de um dia de trabalho massacrante, ou sabendo que teremos uma reunião importante no dia seguinte logo de manhã. Pouco tempo nos sobra para o lazer, para as experiências culinárias, para os papos com as amigas.

Mas tudo tem um preço e nada do que é importante e bom vem fácil, certo? Abrimos mão de certas coisas que nos davam prazer mas em compensação nos livramos de outras que eram o martírio da mulher a algumas décadas. Já não precisamos nos conformar com maridos violentos, mulherengos, possessivos, podemos nos livrar deles quando bem quisermos sem o risco de passar fome.

E há muitas outras vantagens que talvez esqueçamos na hora de contabilizar as perdas. Se aconteceram débitos, a coluna de créditos também está enorme e é para ela que devemos olhar sempre que nos bater aquela vontade imensa de ficar em casa engordando e falando mal dos outros.

Leia também:
Minha vizinha está desempregada
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Vida fácil

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sábado, 27 de dezembro de 2008

Mucama de luxo

Nos anos 60 a mulher foi às ruas, protestou, queimou sutiãs e o resultado aí está: estamos livres do jugo masculino e da prisão das tarefas domésticas. Não temos mais que servir a nossos amos, senhores e provedores, e nem participamos do mercado de trabalho "para comprar nossas agulhas".

Mas espera aí, pára tudo! Se olhar em volta vai ver que não é bem assim, muitas apenas mudaram de lugar, mas continuam mucamas, nada mais que escravas que servem em duas senzalas diferentes. Conheço muita mulher que age de forma tão subserviente no trabalho que parece mãe do patrão!

Parece que voltamos à estaca zero, tem mulher que só falta lamber o chão que o chefe pisa! Tudo bem que você é secretária e tem por obrigação servir a seu chefe, mas há uma diferença entre obediência e hierarquia e SUBSERVIÊNCIA!

Muitas funcionárias não sabem se impor, baixam os olhos e o tom de voz quando se dirigem ao patrão, não sabem dizer nada a seu favor nem defender seu ponto-de-vista! Quando muito, correm para o banheiro com tudo entalado na garganta e lá choram por horas seguidas?

A nova mulher tem que ter coragem e esquecer a idéia de que "o homem é naturalmente superior". Se chegamos onde estamos, garanto que não foi baixando a cabeça e aceitando tudo caladas, como fazem as árabes.

Não é necessário ser uma batalhadora constante nem uma guerreira nata pra saber que a servidão ficou pra trás e que de agora em diante o que menos interessa ao patrão é o seu sexo, com certeza o que ele vai avaliar é que tipo de funcionária você é e qual a sua atitude profissional.

Se a melhor maneira de descrever sua posição frente à sua carreira e ao seu patrão é "de quatro", não reclame se alguém resolver subir em cima e mandar a espora!

Leia também:
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quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Minha vizinha está desempregada

Pois é, minha vizinha está desempregada. Pediu demissão há 4 meses para ficar mais tempo em casa e cuidar do filho de 1 ano, que praticamente não via mais. Foi tudo de comum acordo com o marido, que concordou em fazer hora-extra para suprir as necessidades da família.

Concordou mas não cumpriu, aluguel atrasado, brigas... ele foi embora. Ficou a vizinha, desempregada, filho pequeno para criar. Não é uma situação incomum, muita gente passa por isso todo dia. Vai à luta, arranja emprego, cria o filho sozinha.

Não é o caso da vizinha. Isso aconteceu já faz um mês e ela acorda tarde, fica na casa da outra vizinha batendo papo, falando mal do marido em tom de voz alto para assegurar que todos os vizinhos ouçam, ouvindo música e vendo TV.

Espicha os olhos para os maridos das outras vizinhas, imagine. Um perigo! Mas é claro que acho essa atitude deplorável. Não foi assim que eduquei minhas filhas, felizmente. Sempre ensinei que primeiro a gente constrói uma carreira, estuda, tem uma profissão. Depois a gente se casa. Se não der certo é uma pena, mas a vida não para por causa disso. E nem paramos de comer.

Mas como minha vizinha há muitas outras por aí. Na certa espera outro candidato para assumir a manutenção da casa, porque para mim parece óbvio que na cabeça dela não passa nem de longe a idéia de assumir esse encargo.

É uma pena porque ela tem a oportunidade de tomar a direção da própria vida nas mãos. Tem a chance de conquistar sua liberdade e seu lugar ao sol. A chance de ser alguém independente e produtivo, que não tem que aturar o que não deseja nem satisfazer os desejos de outrem - a não ser que também sejam os seus.

Como minha vizinha há muitas outras que acham que um homem lhes proporcionará tudo o que sonharam. Esse homem - que nas histórias vinha montado num cavalo branco - só existe em suas imaginações. O príncipe do cavalo branco na verdade somos nós mesmas. Quem pode proporcionar o que você sonha é você mesma, com seu trabalho. Quando você conseguir isso deixará de ser escolhida. Quem se garante e se mantém conquista o direito de escolher.

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domingo, 7 de dezembro de 2008

Postura profissional

Hoje a mulher trabalha fora, tem direitos mais ou menos iguais aos do homem e para chegar aqui foram necessárias algumas décadas e muito esforço. Mas algumas de nós parecem querer botar tudo a perder.

Apesar de trabalharem e necessitarem do emprego para a sobrevivência não conseguem encarar isso de forma profissional. Presenciei várias vezes colegas que levavam bronca e corriam ao banheiro para chorar e depois ficavam "de mal" do chefe. Ou que se atrasavam porque o bebê teve dor de barriga. Ou que não compareciam a reuniões porque "o marido não deixou".

Ora bolas, como podemos ser levadas a sério se uma boa porção de mulheres ainda não percebeu que trabalho é compromisso? Que devemos deixar do lado de fora os problemas pessoais e que ficar pendurada no telefone o dia inteiro com a babá porque o filho não quer comer só contribui para que sejamos discriminadas ao procurar um emprego?

Antes de ganhar a confiança do patrão temos que provar que não somos desse tipo, que somos "as boazinhas", que encaram a profissão como uma carreira e que separam a vida profissional da pessoal. Trabalho para nós não é bico, é necessidade. Necessidade material, espiritual, social e fundamental. Não trabalhamos apenas para ganhar dinheiro, trabalhamos porque achamos o trabalho necessário para qualquer ser humano que seja maior e que esteja no uso de suas faculdades mentais.

Essas aí que vão para o emprego apenas para dar trabalho aos outros e causar problemas e que desde o momento que chegam estão contando as horas que faltam para ir embora, nos façam um favor: fiquem em casa. Retirem-se do mercado de trabalho e parem de denegrir nossa imagem. Nós outras que também somos mulheres levamos a coisa a sério e não queremos ter que pagar o ônus pelas dondocas que um dia resolveram que seria bom passar um tempo fora de casa. Se querem mesmo ficar umas horas fora de casa, por favor marquem hora no salão de beleza. E fiquem por lá.

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sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Você sofre da "Síndrome de Cinderela"?

Há um tipo de comportamento comum entre mulheres que pode ser classificado como Síndrome de Cinderela. Muitas trabalham, estudam, levam uma vida aparentemente normal, mas lá dentro, no âmago de suas almas, ainda esperam pela chegada do Príncipe Encantado, que as livrará dessa vidinha chata e rotineira que vivem.

Bobagem? Pode ser, mas desde a infância fomos condicionadas pelas historinhas que contavam para nós, a pensar que um dia ele apareceria montado em seu cavalo branco e então não haveria mais tristezas nem problemas. Viveríamos felizes para sempre - e a história acaba aí.

Não se explica que após casar-se com o Príncipe a Cinderela tinha que dar um duro danado para manter o castelo limpo e arrumado e ainda por cima fazer um banquete especial para suas centenas de convivas.

De qualquer forma, é um modo simplista e infantil de encarar a vida, achando que uma pessoa mágica virá e então arrancará de nossa existência sem-graça toda a tristeza e preocupação. Como a chegada desse Príncipe é pouco provável, convém que cresçamos e encaremos os problemas de frente. Na falta de um Príncipe, temos que aprender a lidar com nossas agendas cheias de tarefa e entender que somos apenas humanas e que não podemos exigir de nós mesmas a perfeição.

Temos que fazer opções, e quando optamos escolhemos algumas coisas e abrimos mão de outras. Ao optar decidimos o que é mais importante e concentramos nossa atenção e esforço no que escolhemos.

E temos sonhos sim, mas são reais e "alcançáveis", sonhos possíveis. Batalhamos por eles e nos congratulamos com nossas pequenas vitórias. Não vale a pena esperar pelo Príncipe. Podemos nós mesmas transformar nossa vida, com determinação e vontade. Ah, e um pouco de organização também não faz mal a ninguém.

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sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Fazendo aliadas contra o assédio

Se você trabalha num local onde haja mais mulheres e sofre assédio, é possível que o seu "assediador" também o faça com outras, porque a raposa perde o rabo mas não perde a mania. Portanto, a melhor forma de parar com esse incômodo seria conversar com as outras e conseguir aliadas, outras funcionárias que também sejam incomodadas pelo distinto cidadão e que estejam dispostas a fazê-lo parar.

Se houver um bom número de funcionárias que concordem em tomar providências, a coisa pode ser resolvida "em casa", por assim dizer. Basta unirem-se e irem falar com o chefe imediato dele. Se ele for o patrão supremo, também funciona irem conversar com ele a portas fechadas, de preferência todas juntas e levando consigo seus maridos, namorados, pais ou irmãos. Quanto mais gente, melhor.

Se nada for conseguido com isso, seria a hora de uma denúncia à justica, seja do trabalho ou mesmo a justiça comum. Com várias denunciantes o caso ganharia força e com certeza seriam ouvidas. Com várias denunciantes seria muito mais fácil de comprovar-se o assédio do que com uma só.

Pense nisso e se for o caso, comece a juntar aliadas para tomar providências. Não permita que abusem de você no seu ambiente de trabalho.

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quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Seu marido tem ciúme do seu trabalho?

É comum o marido ter ciúme do trabalho da esposa, principalmente se ela dedica muito tempo e atenção ao que faz. No meu caso, por exemplo, além das horas que normalmente passo na escola dando aulas, ainda tenho contato com os pais dos alunos, preparo aulas em caso, corrijo lições, em suma, dedico uma boa parte do meu tempo à escola, mesmo quando estou em casa.

Como o irmão mais velho que se queixa da atenção exagerada que ele julga que a mãe dá ao irmão caçula, é comum o homem queixar-se de que a mulher dá mais atenção ao trabalho que a ele mesmo. Já tive até um namorado que um dia me disse, irado: "Você devia se casar com seus alunos porque não dá bola pro seu namorado".

Acusações assim são difíceis de engolir, porque se nos esmeramos no que fazemos é porque dependemos do que fazemos para viver, e queremos desempenhar nosso trabalho de forma eficiente. Mas os homens não perdoam toda essa eficiência, acho que queriam um emprego que simplesmente sumisse quando eles aparecessem em casa.

Quando seu marido reclama demais do seu emprego, acho que cabe também um exame de consciência de sua parte, quem sabe você não está se escondendo atrás do serviço para fugir dos problemas de casa? Eu mesma já fiz isso e descobri que esse comportamento não resolve nada, só complica as coisas.

O melhor mesmo é você conversar com seu marido e juntos descobrirem QUANTO de sua vida particular pode ser sacrificado com seu trabalho e QUANTO deve ser dedicado a vocês. Estabelecidos os limites trate de respeitá-los porque se não o fizer estará abrindo a porta para uma vida voltada apenas para o trabalho em detrimento de todo o resto.

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terça-feira, 11 de novembro de 2008

Assédio sexual

Imagino que toda mulher já sofreu, sofre ou sofrerá assédio sexual no ambiente de trabalho. O que caracteriza o assédio é o uso do poder hierárquico para exigir ou coagir a mulher para obter favores sexuais.

Demorou para que a legislação abrisse os olhos para esse autêntico crime cometido contra as trabalhadoras que necessitam de seu emprego para viver. E muitas de nós preferem ganhar o pão de cada dia com dignidade, ou seja, fazendo exatamente aquilo que somos pagas para fazer, não incluindo aí favores de qualquer natureza, principalmente a sexual.

Há chefes e chefes, alguns acham que por ter mulheres sob suas ordens podem usar e abusar, fazer gracinhas de mau-gosto ou pressioná-las pra que o sirvam de outras formas que não estão explicitamente mencionadas no contrato de trabalho.

Infelizmente a justiça abre-nos uma porta para um cômodo vazio quando nos acena com a possibilidade de recorrer a ela em caso de assédio. Os casos dessa natureza são difíceis de comprovar, já que as possíveis testemunhas também estão sob o jugo do réu. Dificilmente um colega de trabalho irá testemunhar contra o patrão, e há casos em que a funcionária conseguiu provar o assédio mas foi demitida a seguir.

A justiça também vê a mulher que queixa-se de assédio como uma possível golpista. A exemplo do que acontece com as que se queixam de estupro, elas são tratadas como se fossem elas as criminosas e não o acusado.

Ainda impera entre nós o pensamento machista de que se o homem avançou o sinal é porque a mulher permitiu ou o fez pensar que seria bem-vindo, seja por seu comportamento ou por sua maneira de vestir-se. Ou seja, para provar o assédio primeiro a mulher TEM QUE PROVAR QUE NÃO PARTIU DELA O CONVITE, mesmo que indiretamente.

Muitos chefes ainda se justificam alegando que "ela dava bola" ou "também, olha a roupa que ela veste", como se o modo de uma pessoa trajar-se fosse um convite implícito para o sexo. O fato de uma mulher usar uma calça justa, uma blusa decotada ou uma saia curta não dá a ninguém o direito de vir com gracejos ou fazer propostas cabeludas. O fato de ser bonita, alegre e comunicativa não dá a ninguém o direito de aproximar-se e pressioná-la para obter dela favores sexuais.

Apesar de todas as dificuldades, ainda acredito piamente que a mulher não deve abaixar a cabeça, e mesmo não concordando, ouvir calada e agüentar as pressões dessa natureza. Rendemos bem em um ambiente de trabalho saudável e agradável. Portanto se seu chefe vier com gracejos não solicitados corte, ameace, esbraveje. E se for o caso, denuncie.

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sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Dia das bruxas

É dia das bruxas e a bruxa aqui já andou pela casa agarrada na vassoura, depois eu fui para o tanque, para a pia, o fogão e agora repouso meu corpo alquebrado de tanta escravidão na cadeira em frente ao pc. E isso porque sexta-feira é meu dia de folga!

Agora imaginem se não fosse. Fui à escola de manhã porque precisava dar uma prova de segunda chance a alguns alunos que não conseguiram nota na primeira. E isso depois de 5 aulas de monitoria, com tudo explicadinho de novo tintim por tintim. E acredita que alguns não passaram?

Quando acontece isso dá vontade de jogar tudo pro alto e ficar mofando em casa. Sinceramente há horas em que me sinto inútil, falando com as paredes. A gente prepara a aula, explica da melhor forma, dá segunda chance quando não conseguem. De 9, 2 fizeram tudo aquilo exatamente que eu falei que não era para fazer. Cometeram aqueles mesmos erros de novo.

Onde será que está o erro? Juro que procuro formas todos os dias de facilitar, mas parece que tem gente que nasceu pra complicar. Me dá um desânimo... Cada vez que um aluno não consegue quem se sente fracassada sou eu. Parece que cada aluno que tira nota abaixo da média na verdade está dando uma nota PARA MIM. A cada aluno que avalio parece que estou avaliando a mim mesma e ao meu trabalho.

Tomara que na prova final o resultado seja diferente...

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sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Folga? Quem foi que disse isso?

Gente, será que estou completamente equivocada ou "folga" significa ficar de papo pro ar, sem fazer nada de nada? Ou muito me engano ou então folga pra mulher tem outro significado. Ou estou sendo enganada.

Por quê é que a casa está sempre uma bagunça no dia de folga? Por quê o monte de roupas sujas fica maior? Por quê fica aquela montanha de louça suja na pia? E tudo esperando que a gente dê um jeito... Ai meu Deus, assim não agüento, doarei minhas folgas pra quem quiser!

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sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Esquisitices

Mulher que trabalha e fica até de madrugada na internet vai ter problemas para levantar da cama no dia seguinte, não acham? Que fazer, eu adoro internet e essa é a hora em que todos estão dormindo, portanto tenho mais calma para escrever. Mulher que trabalha fora em horário comercial fora de casa e que quando chega tem que lavar, passar, cozinhar e limpar a casa tem disso...
Bem, agora está na minha hora, sou um ser humano e também tenho que dormir... infelizmente...

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quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Vida fácil

Outro dia eu estava calmamente tomando um café com meu marido num quiosque em frente ao supermercado, era uma tarde chuvosa, lá pelas 3 da tarde. Meu marido estava de folga aquele dia e aproveitando um intervalo entre as aulas saí da escola para tomar um café com ele.

Estávamos pois bem sossegados tomando um café e conversando quando de nós se aproximou uma moça na casa dos 20 e poucos anos (talvez nem isso) com duas crianças, uma de dois anos que puxava pelo braço e outra de colo. Pediu um real e quando disse que não tinha (tenho por hábito não dar esmolas) ela continuou pedindo, e quando eu disse que não ia dar mesmo perguntou:

- Nossa, moça, minhas crianças estão com fome. Não vai me pagar pelo menos um salgadinho para minhas crianças que estão com fome?

A moça e as crianças estavam bem arrumadinhas e limpas, a moça até vestia uma calça jeans e uma blusinha da moda. Estava até elegante, naquela elegância de clones que costumam vestir os jovens hoje em dia, viu um já viu todos.

Não sei se fui mal-criada com ela, que se afastou xingando. Depois comentei com meu marido que a uma hora daquelas, se realmente não tinham dinheiro nem para um salgadinho, não seria mais lógico que ela estivesse trabalhando para garantir seu sustento e o dos filhos?

Se tivesse que me definir com uma palavra um dia eu diria "observadora". Eu simplesmente observo. E durante a semana quando vou para a escola é muito grande o número de mulheres jovens, cheias de sacolas, indo e vindo nas ruas de comércio arrastando suas inúmeras crianças pela mão. Uma ou outra passa rápida, provavelmente rumo ao serviço, assim como eu. As outras, que se dão ao luxo de ir e vir pelas lojas em dia de semana, me parece que estão simplesmente torrando o dinheiro que algum idiota está nesse mesmo momento se esfolando para ganhar.

Não condeno a mulher que prefere ficar em casa cuidando da casa, dos filhos e do marido. É uma escolha de cada uma, mas a mim me parece que é grande o número de mulheres que estão por aí à toa, enquanto seus homens tratam de ganhar a vida. Considero isso o fim da picada, porque está na cara que um trabalhador a mais na família faria uma grande diferença.

Essas mulheres às quais aqui me refiro e que fazem a alegria das lojas de 1,99 e de roupas de baixa qualidade não se concentram em supermercados, pelo contrário, estão nas lojas de calçados e de roupas, e se vestem muito bem. Muitas vezes com crianças mal ajambradas ao lado, mas elas, sim, sempre vestidas na modinha simples que se multiplica nos corpos das jovens de baixa renda e escolaridade.

Acredito que a culpa disso tudo nem seja delas, foram criadas ouvindo a promessa de que nem precisariam estudar muito porque em breve encontrariam um homem para sustentá-las. Conheço algumas assim, que falam isso abertamente e não têm o mínimo pudor de admitir que estão esperando apenas um homem que as "assuma". Muitas dizem isso até para os pretendentes, e a partir daí creio que negociam as demais cláusulas do contrato informal tão comum hoje em dia.

É triste ver essas jovens que poderiam aspirar uma carreira, um futuro melhor para si e os seus, mas limitam-se a ser prostitutas mal pagas (nem sempre) de um homem só, vítimas e beneficiárias desse mercado que por mais que se pregue a libertação da mulher, perenizam nossa condição de escravas que vendem seus préstimos a quem oferecer o lance mais alto.

(zailda coirano)

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domingo, 17 de agosto de 2008

Não jogue contra o patrimônio

Muitas vezes jogamos contra nós mesmas, nos exigindo coisas que sabemos que somos incapazes de cumprir. Botei aí do lado uma pesquisa pensando nisso. Quantas vezes nós mesmas nos forçamos a fazer mais do que podemos suportar, levadas por um sentimento irracional de culpa que fomos condicionadas a sentir sempre que alguma coisa nos dá prazer, ou simplesmente levadas pela mania de perfeição - queremos ser a melhor mãe, a melhor esposa, a melhor funcionária e a melhor dona-de-casa. Aí não dá, né meninas? Assim fica difícil. Afinal, mulher também é ser humano!

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domingo, 3 de agosto de 2008

Semana agitada de início das aulas

Sempre que as aulas começam é aquela coisa: hora de me acostumar de novo com a rotina, mesmo porque a cada semestre há uma mudança nos meus horários e tenho que adequar meu tempo às atividades dentro e fora de casa.

Esse semestre prometi a mim mesma que não vou priorizar o trabalho em detrimento da casa, então é aquela coisa: correria para aprontar almoço e jantar, passa uma vassoura aqui e lava uma louça ali... pronto, já está na hora de correr para a escola.

Isso até que é bom porque assim quem sabe eu perca ainda uns quilos. E fique mais em forma, porque vida sedentária acaba com o físico e o espiritual da gente. Quanto mais atividade temos, mais nos sentimos com vontade de realizar coisas. Se ficamos em casa apenas descansando e arrastando o chinelo da frente da TV para a frente do fogão, logo estamos cheios de achaques e dores para todo canto.

Acho que a atividade nos mantém vivos por mais tempo, e desde que me lembro sempre "inventei moda", arranjando dezenas de coisas para fazer. Tenho projetos e mais projetos esperando na fila até eu ter tempo de começá-los, e sempre aparece mais um. A criatividade é exacerbada pela rotina movimentada, porque à medida que os problemas e situações que precisam de soluções urgentes aparecem, as idéias vão nascendo.

Acho que o progresso só foi possível porque a cada problema que aparecia alguém tinha uma idéia de uma solução. Assim nasceram as grandes invenções, e é bem por isso que não quero parar de trabalhar. Sinto que quando finalmente eu me retirar do mercado de trabalho minha fonte inesgotável de inspiração irá secar.

Um dia essa hora irá chegar, mas por enquanto vou bem, obrigada, na correria de um lado pro outro pra não deixar a peteca cair. Chuta e cabeceia daqui, depois corre para a pequena área para defender. Depois é só sair para o abraço.

(zailda coirano)

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Cortiço

Onde moro há outras 4 casas, que permanecem silenciosas durante o dia todo. Não há sequer um ruído vindo das casas durante o dia, que é quando minhas vizinhas estão no trabalho. À noite, no entanto, o pequeno corredor ganha vida, ouvem-se vozes, gritos, lá pelas 7 começa a subir no ar o agradável cheiro de janta.

Tudo ganha cor e movimento quando as mulheres chegam em casa. Claro que os homens também trabalham mas quando retornam ao lar nem se nota. Entretanto a chegada das mulheres é seguida de intensa atividade, barulho de pratos e roupas sendo lavados, música, água corrente. As mulheres movem o mundo, pelo menos aqui onde eu moro.

(zailda coirano)

domingo, 18 de maio de 2008

Mudança no estilo de vida

O fato da mulher sair do lar para assumir postos no mercado de trabalho mudou drasticamente o estilo de vida das famílias de modo geral. Antes ela ficava todo o seu tempo em casa, fazia as refeições da família, cuidava das roupas e do lar. Hoje o fato de a mulher passar uma boa parte do seu dia fora de casa faz com que as famílias procurem formas alternativas para atender às suas necessidades.

Hoje muitos são obrigados a comer fora, em restaurantes, ou a fazer lanches rápidos durante o dia. Com isso aumentaram os casos de obesidade e outras doenças relacionadas ao peso e à alimentação desequilibrada. Um ponto para as mulheres, porque mesmo antes de os médicos alardearem o valor de uma alimentação equilibrada, com frutas, carne e verduras, a mulher instintivamente já proporcionava aos seus refeições saudáveis e balanceadas, apesar de não saber absolutamente nada a respeito de carbohidratos ou proteínas.

As indústrias também vieram em socorro da mulher criando máquinas que reduzissem o tempo e o esforço que dispendiam no cuidado da casa. No dia das mães aumentam as vendas dessas geringonças, que vão desde máquinas de lavar que centrifugam a roupa a ponto de ser possível passá-las imediatamente depois da lavagem, a aparelhos que retiram e separam o suco da casca das frutas. Há também as lavadoras de louça, vassouras mágicas, máquinas que limpam a vapor... Tudo projetado para que a mulher possa executar as tarefas domésticas de forma mais confortável e tenha tempo para dedicar-se a também contribuir com as despesas da casa.

Seu papel de mãe foi também facilitado pela difusão das fraldas de papel e comidas industrializadas para bebês. Também foram criadas muitas vacinas múltiplas, que com uma única picada imunizam crianças contra várias doenças. Isso aliado ao fato de que as comidas e leites industrializados vêm enriquecidos com ferro, vitaminas e outros componentes necessários à saúde e bom desenvolvimento das crianças diminuiu a mortalidade infantil proporcionando crianças bem desenvolvidas e saudáveis. Antes as famílias tinham 6, 7, 12 filhos mas poucos deles chegavam à vida adulta. Hoje os casais têm em média 2 filhos e normalmente os dois conseguem chegar a ter uma vida adulta e saudável.

As famílias eram compostas por várias gerações e todo trabalho era valorizado, portanto o idoso tinha também seu papel na criação de netos e bisnetos, bem como no cuidado da casa. Dessa forma as doenças senis eram menos freqüentes. Hoje, com a nova mania do "descartável", infelizmente o idoso foi incluído nessa categoria e a cada dia tornam-se mais populares as "casas de repouso" onde muitas famílias, limitadas por questões de espaço e comodidade deixam seus ascendentes e raramente os visitam.

Analisando as mudanças ocorridas nessas décadas percebemos que a mulher teve um papel importante na evolução da sociedade nos últimos 40 ou 50 anos, mas muita coisa ainda precisa mudar para adaptar a sociedade a essa nova mulher que passou de membro passivo a agente modificador de seu meio e da sociedade de modo geral.

(zailda coirano)

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