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sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Direito a construir relacionamento conjugal e a planejar sua família


Quem decide quando ter filhos? Eu imagino que deva ser resultado de consenso entre marido e mulher, mas ou o marido é quem decide ou (na maioria das vezes) deixa isso para que a mulher se preocupe. Quando desejam parar de ter filhos é a mulher quem faz a cirurgia, mesmo com o pós-operatório doloroso se comparado à rapidez e simplicidade da cirurgia masculina. São raros os que fazem a histerectomia quando desejam parar de ter filhos.

As muito jovens têm mesmo acesso à informação sobre como evitar os filhos? E sabem exatamente o que implica no ato de ter filhos ou será que imaginam que 'ter um filho é uma forma de prender um homem'? Será que estamos respeitando o direito de nossas filhas, dando a elas uma educação sexual completa para que saibam exatamente o que estão fazendo?

Para ter o direito a planejar sua família as mulheres precisam saber como fazer isso. Ainda é grande o número de mulheres que vivem em completa ignorância sobre como funciona seu corpo e as responsabilidades de pôr um filho no mundo. Se as ensinamos a ler e escrever, porque esse tabu do sexo? Não é melhor informar para que façam da forma certa e de maneira responsável do que deixá-las na ignorância para que façam experiências com o próprio corpo e com a própria vida?

Para que esse direito seja exercido em sua plenitude é necessário que a sociedade abandone a atitude hipócrita de fazer de conta que sexo não existe. Encarar o fato de que a informação é um direito da mulher é uma forma de fazer com que ela conquiste o direito de exercer sua liberdade com responsabilidade.

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quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Direito à saúde e à proteção desta


Essa semana mesmo eu vi no noticiário que duas mulheres, em regiões diferentes do Brasil, morreram no parto porque não foram assistidas a tempo. Será que voltaremos ao tempo das parteiras e dos partos em casa? Será que nem ter nossos bebês em hospitais com a assistência de um médico podemos?

E esse governo alega que já fez muito pela saúde. Mas será que isso nos assegura direito à saúde? Que condição o Estado dá à mulher para fazer seu pré-natal, seu exame de prevenção de câncer no útero, seu acompanhamento pós-parto?

Quantas mulheres sofrem de depressão pós-parto, cólicas menstruais ou TPM hoje no Brasil? Será que existem estatísticas? Quanto está sendo investido para encontrar remédios efetivos para esses males?

Acredito que quando se trata de doenças 'tipicamente femininas' não há interesse algum em pesquisar e solucionar, a maioria dos pesquisadores é homem, pra que vão se preocupar com cólicas e depressões? Eles esperam que nós aprendamos a conviver com esses problemas porque somos mulheres, então temos que nos acostumar à dor e ao desconforto.

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quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Direito à privacidade


Quando uma pessoa (seja chefe, marido ou pai) viola correspondência, revira gavetas ou fuça nas ligações de outra pessoa está violando sua privacidade. Isso é entendido quando se trata de um homem mas é desrespeitado quando se trata de mulheres.

Já vi garotas cujas mães fiscalizavam o lixinho do banheiro e que eram submetidas a rigorosos interrogatórios se por acaso não fossem encontrados absorventes em certos dias do mês. Ora bolas, será que isso é respeitar a privacidade da pessoa?

Quando eu estudava em colégio de freiras era comum os pais levarem as filhas ao médico para um vexatório 'teste de virgindade', claro que contra a vontade delas. E isso não é quase um 'estupro'? Em algumas regiões isso não chega a tanto, mas as filhas são mantidas sob rigorosa vigilância, os filhos façam o que quiserem com as filhas dos outros.

Será que não há aí uma certa dose de hipocrisia? Será que esse tratamento não está um pouco distante da realidade que vivemos? Será que o marido que vigia a esposa não é pouco confiável? Porque pra mim das duas uma: ou ele não confia na mulher (então o melhor é separar-se, já que um relacionamento baseia-se em confiança mútua) ou ele é indigno de confiança e julga os outros por si.

Seja lá o que for, nada justifica que a mulher seja tratada como um prisioneiro, que perde não só a liberdade como a privacidade quando entra na prisão. Não temos que passar por revistas; não temos que ser vigiadas; não temos que ser seguidas ou ter nossas ligações telefônicas ouvidas ou questionadas. Somos seres humanos e temos direito à privacidade.

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terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Direito à informação e educação


Hoje em dia acontece uma coisa curiosa: a maioria das classes onde dou aulas é composta por mulheres. Será que isso significa que esse 'direito à informação e educação' está sendo respeitado ou que nós o estamos fazendo valer? Também tem essa questão, não adianta presumir que os outros respeitarão nosso direito se nós não dermos valor a ele.

Se por um lado as classes são na maioria compostas por mulheres, também vejo muitas jovens abandonando os estudos para casar e criar filhos. Nada contra, isso é uma opção pessoal delas - ou não. Se é realmente uma opção tudo bem, mas se é forçado por falta de outra saída estou contra. Quando uma mulher se casa jovem e não tem condições de trabalhar por não ter completado os estudos ou ser ainda muito jovem o marido deveria assumir o encargo de custear sua educação.

Deveriam criar uma lei segundo a qual o marido deveria pagar bolsa-estudo para a mulher em caso de divórcio, caso ela não tenha concluído seus estudos. Não concluiu porque estava cuidando dele e dos filhos que teve com ele, como se casamento fosse profissão. Então ele tem a obrigação de dar a oportunidade que tirou da mulher, pagando seus estudos até que ela possa manter-se sem necessidade da ajuda dele, assim ficaria assegurado o direito à informação e educação. Mas nossos governantes não estão pensando nisso, quem é que está preocupado com os direitos da mulher lá em Brasília? Estão muito mais preocupados com a cotação do dólar e o preço do boi gordo.

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segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Direito à liberdade de pensamento

Direito mais do que desrespeitado, já vi chefes apoiando idéias furadas de funcionários homens e deixando de lado idéias brilhantes só porque eram de mulheres. Já vi chefe e marido mandando mulher calar a boca. Até já me mandaram calar a minha, só que eu não calei. Liberdade de pensamento e também de expressá-lo.

Quantos homens não fazem a mulher mudar de time e de partido político? Tenho um ex-marido que achava que rock era coisa de gentinha, que música clássica e jazz é que eram para gente culta. E tocava jazz e clássica o dia inteiro, implicava sempre que eu queria ouvir um rock. Também não gostava de novelas e nem do Sílvio Santos, então eu não podia assistir. Até podia mas não conseguia porque ele ficava do meu lado atormentando e o que era para ser um prazer acabava virando uma briga.

Seu chefe e seu marido respeitam sua liberdade de pensamento ou vivem dando sugestões de como e o que você deve pensar? Lavagem cerebral devia ser crime, se consumada ou a simples tentativa. E daí que meu marido não gosta do PT e que meu chefe é palmeirense? E daí que eu sou de esquerda e meu patrão é de direita? Só porque sou mulher isso significa que eu tenho que ser Maria-vai-com-as-outras? Até essa expressão já diz tudo, porque não tem João-vai-com-os-outros.

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domingo, 11 de janeiro de 2009

Direitos da Mulher - Direito à igualdade e a estar livre de todo tipo de discriminação


Esse direito então é uma piada, não tem nada de 'assegurado', se quisermos fazê-lo valer temos que brigar por ele, ocasionalmente até na Justiça. Quem discrimina não admite que faz isso, e não é raro nem ter consciência de que o está fazendo. Quando um patrão diz que 'não gosta de contratar mulheres para esse posto' não percebe que isso já é uma forma de discriminação.

Quando a mulher favorece a discriminação

Algumas mulheres, por não cumprirem direito seus deveres, acabam criando uma imagem negativa da mulher no trabalho. Elas recorrem a uma atitude 'pseudo-feminina', usam lágrimas e adotam uma postura de 'fragilidade emocional', isso quando não tentam usar seus 'dotes físicos' para galgar cargos dentro da empresa. Esse tipo de mulher pode até conseguir o que quer usando esses meios, mas conseguiriam a mesma coisa - e conquistariam respeito também - se tivessem uma atitude mais ética e profissional.

O problema é que essas mulheres criam uma falsa imagem feminina, que pode ser generalizada e prejudica a todas nós. Quem é que não tem na cabeça aquela imagem estereotipada da secretária loura e boazuda que não sabe fazer nada e está lá só para 'decorar' o escritório? Está claro que a esmagadora maioria não é assim, mas para que o estereótipo fosse criado algumas mulheres com certeza participaram e contribuiram, exercendo esse papel ridículo.

Soluções, se as há

Quando se trata de garantir seu direito à igualdade há duas saídas, nenhuma delas completamente satisfatória: ou você luta para conquistar (o que é estressante, ter que conquistar uma coisa que teoricamente seria um direito já garantido), ou deixa pra lá e se sente frustrada. Infelizmente esse direito não costuma ser respeitado e só nos sobram essas duas alternativas, e como eu disse, ambas deixam algo a desejar. Acho que ainda temos um longo caminho até que a sociedade entenda que mulheres e homens são seres humanos e, portanto, devem ter direitos iguais.

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sábado, 10 de janeiro de 2009

Direitos da Mulher - Direito à liberdade e segurança pessoal


Você acha que seu direito à liberdade está sendo respeitado? E o da segurança pessoal? Se você mora em cidade grande como eu, só se andar com 4 guarda-costas e usando colete à prova de balas. Infelizmente a 'segurança pública' está uma calamidade e as vítimas favoritas dos malfeitores é a mulher, por ser mais frágil física e emocionalmente.

Está claro que esse direito não está sendo respeitado porque a qualquer momento podemos levar uma bala 'perdida'. E onde fica nossa liberdade de ir e vir?

Até que ponto seu marido respeita sua liberdade pessoal? É claro que não estamos falando de liberdade 'total e irrestrita' porque sua liberdade termina onde começa a do outro, mas muitas vezes o marido tolhe a liberdade da mulher tomando decisões por ela, como se ela fosse um ser incapaz de decidir por si mesma.

Há maridos que interferem até no trabalho da mulher, decidindo que tipo de roupa ela pode ou não vestir, vetando hora-extra, monitorando o que fazem e como fazem. Muitas de nós têm que responder verdadeiros questionários sobre como foi seu dia no trabalho. E isso lá é liberdade? Outras trabalham, mas quem decide o que fazer com o salário delas é o marido. Ou deixam que gastem mas todos os gastos são monitorados, querem saber onde foi cada tostão, e ai dela se comprar alguma coisa que eles julguem 'desnecessária'.

Uma amiga minha teve uma discussão séria com o marido e com direito a levar umas 'bolachas' no final. E sabe qual foi o motivo? Uma blusa que ela comprou com o salário dela. Ele achou que a blusa era 'escandalosa' e queria rasgar. No final, além de embolachar a minha amiga, rasgou a blusa em tiras. Ia botar fogo, mas os vizinhos interferiram e não deixaram. Mas minha amiga não é a única, eu também já ouvi 'você não sai de casa com essa blusa'. Claro que eu saí, mas só o fato de ouvir alguém que se sente no direito de dizer isso já é um abuso.

Muitas mulheres vivem debaixo de um regime de semi-escravidão (ou de escravidão completa) sem direito a nada. Se você conhece algum caso assim, denuncie. Se puder, converse com ela pois talvez ela nem tenha noção de que além dos deveres também tem direitos que são assegurados pela Constituição. Pelo menos no papel.

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sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Direitos da Mulher - Direito à vida


O direito à vida não quer simplesmente dizer que pelo fato de que você esteja respirando, andando e falando esteja sendo cumprido. Viver não é apenas respirar, comer, andar, etc. Para viver é necessário estar viva e isso abrange muito mais.

Estar viva antes de tudo significa ter capacidade para sentir prazer, e não estou falando de sexo. Quer dizer, também. Mas não é só isso. Sentir prazer com pequenas coisas. Quando se está mesmo viva, o prazer é sentido quando ouvimos música, tomamos um sorvete, lemos um livro.

Quando interagimos com o mundo e as pessoas ao nosso redor através de nossos 5 sentidos e isso nos dá prazer é sinal de que estamos vivas. Mas quando a vida é uma sucessão de dias vazios de significado intercalados por noites insones é sinal de que alguma coisa está profundamente errada.

A vida não se resume em acordar, executar todas aquelas ações que esperam de nós como um autômato e ao fim do dia desabar a carcaça exausta em cima da cama para descansar. Se a sua vida está assim seu 'direito à vida' não está sendo respeitado em sua plenitude.

Os lavadores da honra

Não nos esqueçamos porém daqueles que se julgam donos da companheira e portanto com direitos também sobre a vida dela e que a tiram por qualquer motivo. Milhares de mulheres já morreram porque seus companheiros decidiram que seria melhor assim. Seria mais cômodo, lavaria suas honras com sangue, satisfaria sua vaidade de macho. Motivos torpes há muitos para desrespeitar de forma literal o direito à vida da mulher, e nem sempre a sociedade pune esses homens, em alguns locais é até aceito que ele tire a vida da mulher. Alegam 'legítima defesa da honra', como se a honra de um macho fosse criar vida própria e tornar-se também uma pessoa.

O que esses homens chamam de 'honra' e que fazem tanta questão de lavar e defender com o sangue da própria companheira na verdade tem outro nome: vaidade. E para satisfazer essa vaidade extrema não têm o menor problema em sacrificar a vida da esposa. Afinal, ela é apenas uma mulher.

Temos que fazer valer nossos direitos e não aceitar nada que se oponha a eles. Nosso direito à vida tem que ser respeitado, inclusive por nós mesmas. E vamos fazer valer essa vida, redescobrindo o prazer de viver.

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quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Os direitos da mulher

Segundo a ONU os 12 direitos da mulher são:

  1. Direito à vida.
  2. Direito à liberdade e segurança pessoal.
  3. Direito à igualdade e estar livre de todas as formas de discriminação.
  4. Direito à liberdade de pensamento.
  5. Direito à informação e educação.
  6. Direito à privacidade.
  7. Direito à saúde e a proteção desta.
  8. Direito a construir relacionamento conjugal e a planejar sua família.
  9. Direito a decidir ter ou não ter filhos e quando tê-los.
  10. Direito aos benefícios do progresso científico.
  11. Direito à liberdade de reunião e participação política.
  12. Direito a não ser submetida a torturas e maltrato.

Vamos discutir o assunto a partir de amanhã e ver até que ponto esses direitos estão sendo cumpridos, se estamos usando-os ou abdicando deles na nossa vida e o que pode ser feito para aplicá-los à nossa realidade.

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domingo, 28 de dezembro de 2008

Vão-se os dedos...

Hoje em dia pagamos um preço alto pelo papel que hoje desempenhamos na sociedade, já não somos mais dependentes de maridos e pais, podemos ir à luta e construir nossas carreiras, nossas compras...

Se por um lado isso é muito bom, por outro lado perdemos coisas que nossas avós tinham e que lhes davam muito prazer. Já não acompanhamos o crescimento de nossos filhos, que passam parte do dia com babás ou na creche. Nem sempre temos disposição para uma noite de amor, depois de um dia de trabalho massacrante, ou sabendo que teremos uma reunião importante no dia seguinte logo de manhã. Pouco tempo nos sobra para o lazer, para as experiências culinárias, para os papos com as amigas.

Mas tudo tem um preço e nada do que é importante e bom vem fácil, certo? Abrimos mão de certas coisas que nos davam prazer mas em compensação nos livramos de outras que eram o martírio da mulher a algumas décadas. Já não precisamos nos conformar com maridos violentos, mulherengos, possessivos, podemos nos livrar deles quando bem quisermos sem o risco de passar fome.

E há muitas outras vantagens que talvez esqueçamos na hora de contabilizar as perdas. Se aconteceram débitos, a coluna de créditos também está enorme e é para ela que devemos olhar sempre que nos bater aquela vontade imensa de ficar em casa engordando e falando mal dos outros.

Leia também:
Minha vizinha está desempregada
Postura profissional
Vida fácil

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quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Minha vizinha está desempregada

Pois é, minha vizinha está desempregada. Pediu demissão há 4 meses para ficar mais tempo em casa e cuidar do filho de 1 ano, que praticamente não via mais. Foi tudo de comum acordo com o marido, que concordou em fazer hora-extra para suprir as necessidades da família.

Concordou mas não cumpriu, aluguel atrasado, brigas... ele foi embora. Ficou a vizinha, desempregada, filho pequeno para criar. Não é uma situação incomum, muita gente passa por isso todo dia. Vai à luta, arranja emprego, cria o filho sozinha.

Não é o caso da vizinha. Isso aconteceu já faz um mês e ela acorda tarde, fica na casa da outra vizinha batendo papo, falando mal do marido em tom de voz alto para assegurar que todos os vizinhos ouçam, ouvindo música e vendo TV.

Espicha os olhos para os maridos das outras vizinhas, imagine. Um perigo! Mas é claro que acho essa atitude deplorável. Não foi assim que eduquei minhas filhas, felizmente. Sempre ensinei que primeiro a gente constrói uma carreira, estuda, tem uma profissão. Depois a gente se casa. Se não der certo é uma pena, mas a vida não para por causa disso. E nem paramos de comer.

Mas como minha vizinha há muitas outras por aí. Na certa espera outro candidato para assumir a manutenção da casa, porque para mim parece óbvio que na cabeça dela não passa nem de longe a idéia de assumir esse encargo.

É uma pena porque ela tem a oportunidade de tomar a direção da própria vida nas mãos. Tem a chance de conquistar sua liberdade e seu lugar ao sol. A chance de ser alguém independente e produtivo, que não tem que aturar o que não deseja nem satisfazer os desejos de outrem - a não ser que também sejam os seus.

Como minha vizinha há muitas outras que acham que um homem lhes proporcionará tudo o que sonharam. Esse homem - que nas histórias vinha montado num cavalo branco - só existe em suas imaginações. O príncipe do cavalo branco na verdade somos nós mesmas. Quem pode proporcionar o que você sonha é você mesma, com seu trabalho. Quando você conseguir isso deixará de ser escolhida. Quem se garante e se mantém conquista o direito de escolher.

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quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Vida fácil

Outro dia eu estava calmamente tomando um café com meu marido num quiosque em frente ao supermercado, era uma tarde chuvosa, lá pelas 3 da tarde. Meu marido estava de folga aquele dia e aproveitando um intervalo entre as aulas saí da escola para tomar um café com ele.

Estávamos pois bem sossegados tomando um café e conversando quando de nós se aproximou uma moça na casa dos 20 e poucos anos (talvez nem isso) com duas crianças, uma de dois anos que puxava pelo braço e outra de colo. Pediu um real e quando disse que não tinha (tenho por hábito não dar esmolas) ela continuou pedindo, e quando eu disse que não ia dar mesmo perguntou:

- Nossa, moça, minhas crianças estão com fome. Não vai me pagar pelo menos um salgadinho para minhas crianças que estão com fome?

A moça e as crianças estavam bem arrumadinhas e limpas, a moça até vestia uma calça jeans e uma blusinha da moda. Estava até elegante, naquela elegância de clones que costumam vestir os jovens hoje em dia, viu um já viu todos.

Não sei se fui mal-criada com ela, que se afastou xingando. Depois comentei com meu marido que a uma hora daquelas, se realmente não tinham dinheiro nem para um salgadinho, não seria mais lógico que ela estivesse trabalhando para garantir seu sustento e o dos filhos?

Se tivesse que me definir com uma palavra um dia eu diria "observadora". Eu simplesmente observo. E durante a semana quando vou para a escola é muito grande o número de mulheres jovens, cheias de sacolas, indo e vindo nas ruas de comércio arrastando suas inúmeras crianças pela mão. Uma ou outra passa rápida, provavelmente rumo ao serviço, assim como eu. As outras, que se dão ao luxo de ir e vir pelas lojas em dia de semana, me parece que estão simplesmente torrando o dinheiro que algum idiota está nesse mesmo momento se esfolando para ganhar.

Não condeno a mulher que prefere ficar em casa cuidando da casa, dos filhos e do marido. É uma escolha de cada uma, mas a mim me parece que é grande o número de mulheres que estão por aí à toa, enquanto seus homens tratam de ganhar a vida. Considero isso o fim da picada, porque está na cara que um trabalhador a mais na família faria uma grande diferença.

Essas mulheres às quais aqui me refiro e que fazem a alegria das lojas de 1,99 e de roupas de baixa qualidade não se concentram em supermercados, pelo contrário, estão nas lojas de calçados e de roupas, e se vestem muito bem. Muitas vezes com crianças mal ajambradas ao lado, mas elas, sim, sempre vestidas na modinha simples que se multiplica nos corpos das jovens de baixa renda e escolaridade.

Acredito que a culpa disso tudo nem seja delas, foram criadas ouvindo a promessa de que nem precisariam estudar muito porque em breve encontrariam um homem para sustentá-las. Conheço algumas assim, que falam isso abertamente e não têm o mínimo pudor de admitir que estão esperando apenas um homem que as "assuma". Muitas dizem isso até para os pretendentes, e a partir daí creio que negociam as demais cláusulas do contrato informal tão comum hoje em dia.

É triste ver essas jovens que poderiam aspirar uma carreira, um futuro melhor para si e os seus, mas limitam-se a ser prostitutas mal pagas (nem sempre) de um homem só, vítimas e beneficiárias desse mercado que por mais que se pregue a libertação da mulher, perenizam nossa condição de escravas que vendem seus préstimos a quem oferecer o lance mais alto.

(zailda coirano)

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