terça-feira, 19 de junho de 2012

Culpas, quem não as tem?

Lembro-me que a primeira vez que fui trabalhar depois de ter meu primeiro bebê eu me sentia muito dividida. Eu sentia que precisava trabalhar para suprir as necessidades da família, dar conforto, escola, roupa, comida. Também achava que tendo minhas realizações profissionais não sobrecarregaria a criança, tornando-me uma mãe obsessiva e controladora. Mas por outro lado sentia-me “abandonando” a criança, como se o fato de sair de casa e passar uma parte do dia longe do bebê me tornasse uma mãe pior.

Hoje todos os meus “bebês” estão criados e aquele primeiro que eu deixei com o coração pesado de culpa e a cabeça cheia de apreensões já tem 34 anos. Outros bebês vieram e foram devidamente “abandonados” para que eu reassumisse minhas funções profissionais, meu papel de indivíduo produtivo junto à sociedade. Mas lembro-me perfeitamente da  culpa, da incerteza se estaria fazendo a coisa certa.

E o pior nessa culpa é que não há respostas imediatas, elas virão com o tempo e podem demorar décadas. Hoje eu sei que estava fazendo a coisa certa, mas essa resposta é só minha. Porque eu sei agora que se não tivesse explorado minha capacidade de criação, minha eficiência profissional, eu seria uma pessoa frustrada e certamente descarregaria esse frustração em cima de meus filhos. Com certeza eu os cobraria todos os dias por ter largado minha profissão pra criá-los.

Outras mulheres podem fazer uma opção diferente e mesmo assim estarem corretas. A resposta está dentro de você e só você conseguirá ouví-la. Tudo o que você precisa é ouvir seu coração, e certamente tomará a decisão mais acertada.

Zailda Coirano – SOS Idiomas & Digital Goods

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Mulher tem férias?

mulhertempoChega o mês de dezembro e todo mundo quer tirar férias, para enfim ver-se livre da correria e descansar um pouco. Mas mulher tem férias?

Vejamos:

1) Quando viajamos com a família, temos que improvisar tudo, lavando a roupa na pia do banheiro, estendendo na janela, etc.

2) Se vamos passear temos que deixar todo mundo arrumado (leia-se “crianças”) e arrumar a bagunça quando voltarmos, mortas de cansaço.

3) Temos que fazer e desfazer TODAS as malas.

Será que mulher tem férias? Acho que não, porque mesmo quando estamos de férias no trabalho, não dá pra “tirar férias da cozinha”, por exemplo. Temos que cozinhar todo dia, de férias ou não.

Para não ficar maluca com as crianças em casa, seria bom mudar um pouco sua atitude:

1) Ensine cada um a organizar a bagunça que começou.

2) Usou, guardou – e serve para todo mundo.

3) Acendeu, apague – e também desligue se for o caso.

Organize-se sobretudo para não ficar o tempo todo atrás de todo mundo, nem permita que eles fiquem exigindo coisas o tempo todo. Afinal todo mundo sabe o caminho da geladeira, da pia, da vassoura e da lavanderia, não é mesmo?

Zailda Coirano

Website ǀ SOS Idiomas ǀ Facebook ǀ Twitter ǀ Web rádio (em breve)

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Como conseguir vaga em uma creche

creche212De acordo com dados do IBGE, pelo menos 30% das mulheres com filhos de 0 a 6 anos não conseguem vagas em creches públicas para seus filhos. Só na cidade de São Paulo, por exemplo, há pelo menos 100 mil crianças aguardando por uma vaga nas creches públicas.

Esse número torna-se ainda maior se levarmos em conta que nem todas as crianças são cadastradas na lista de espera das creches.

Segundo a legislação, apesar de não ser obrigatória a matrícula em uma creche, é obrigatório fornecer vagas para todas as crianças.

Para fazer valer seus direitos, aí vão algumas sugestões para que você consiga uma vaga para seu filho:

  1. Procure a creche mais próxima de sua casa.
  2. Use o Google como ferramente para encontrar outras creches em seu bairro.
  3. Não deixe de inscrever seu filho nas listas de espera.
  4. Procure a vaga o mais cedo possível, até mesmo antes de seu filho nascer.
  5. Caso a espera seja muito prolongada, procure a Diretoria Regional de Ensino para lutar por uma vaga.
  6. Outras opções para lutar por uma vaga são a Defensoria Pública e a Ministério Público.
  7. Se não houver uma solução, procure o Promotor de Justiça da Infância e Juventude.

É muito importante que a criança seja assistida durante o período do dia em que a mãe está trabalhando, tanto para garantir um desenvolvimento emocional sadio para a criança quanto para que a mãe possa dedicar-se à sua carreira sem a preocupação por ter deixado a criança em poder de vizinhos ou amigos.

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quarta-feira, 18 de maio de 2011

Compartilhando tarefas

estou-ficando-sobrecarregadaQuando trabalhamos fora às vezes nos sentimos sobrecarregadas – ou pelo menos eu às vezes me sinto assim. Acontece de me sentir como se estivesse atolada até o pescoço em responsabilidades, sendo cobrada e pressionada a todo momento e de todos os lados.

Quando começamos a nos sentir dessa forma é hora de parar e respirar. Vamos reavaliar nossas tarefas e obrigações diárias e talvez você chegue à mesma conclusão que eu: assumimos mais responsabilidades do que podemos cumprir.

Abarcar o mundo com os braços

Acho que as mulheres não nasceram com aquele botão de “stop” que os homems parecem ter e usar sempre que possível. Se temos que ir ao banco, pagar as contas, fazer hora extra no escritório, levar o bebê ao pediatra e entrevistar candidatas a babá e o marido pede que levemos o carro à oficina para uma revisão, em vez de: “hoje não dá, essa semana não dá, nessa vida não dá”, dizemos sorridentes:

- Pode deixar comigo que eu “dou um jeito”.

Claro que vamos nos arrepender amargamente desse momento durante a semana, todas as vezes que o marido perguntar se levamos o carro à maldita oficina e tivermos que admitir que infelizmente a kriptonita fez com que perdêssemos nossos superpoderes e por isso não foi possível.

maquiagem-mulher-maravilhaSíndrome de superherói

Acho que no fundo toda mulher queria ser a Mulher Maravilha quando era criança – e continua querendo. Vai querendo, minha filha, vai querendo. Mas tenha em mente que a Mulher Maravilha era ficção, que não dá pra fazer tudo ao mesmo tempo, que dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço (ou para nossa situação, um corpo não ocupa dois lugares ao mesmo tempo) e a não ser que você providencie urgentemente um clone (ou dois, três) vai ficar sempre devendo – e sendo cobrada.

Cobranças

As cobranças cansam, mas só é cobrado quem se comprometeu a fazer. Se você (como parece que toda mulher) não consegue dizer um “não” bem redondo assim na lata e com cara de poucos amigos – tipo “não insista porque não vai rolar”, comece treinando com um “talvez”.

“Talvez” não dói e não concede ao outro o direito de cobrar depois. Afinal você disse “talvez” e “talvez” implica que “pode ser que sim, pode ser que não”.

Mesmo assim – claro – uma cobrança implícita vai rolar, portanto o melhor é partir do “talvez” para nuances personalizadas de “não”:

- Essa semana não dá.

- Esse mês não dá.

- Nessa vida não dá.

Cada um por si

E não complete “e eu por todos”. Seria impossível, portanto contente-se em fazer o que precisa fazer e ninguém fará por você. Não se sobrecarregue porque além de não conseguir fazer, vai ter que aturar a cobrança de cabeça baixa e resignada com sua incompetência para exercer os superpoderes que nem você nem eu temos.

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domingo, 27 de março de 2011

Seu marido sabota sua carreira?

mulher trabalhoTeoricamente vocês estão lutando juntos por um objetivo comum e tudo o que for bom pra você também será bom pra ele, mas será que na prática essa teoria é verdadeira?

De grão em grão…

Muitos maridos têm a melhor das intenções mas mesmo que inconscientemente acabam sabotando as chances de sucesso de suas esposas. São pequenos detalhes aqui e ali que irão aos poucos reduzindo o “gás” que ela poderia dedicar a carreira.

Sabe aquele ditado “água mole em pedra dura”? Ele é muito verdadeiro nesse caso, porque gota a gota seu marido pode estar destilando um veneninho (mesmo que não seja totalmente voluntário) que irá aos poucos retirar sua vontade de seguir em frente em sua carreira, você irá se afundar num mar de culpa e acabará vendo sua promissora carreira como um “emprego” chato, que a priva de sua verdadeira “missão”.

Sinais de alerta

1) Reclamar de seus horários: Marido que reclama do horário de trabalho da mulher está dando um “recado” e é bom abrir os olhos para não se enganar. Se você está usando seu trabalho para fugir de sua rotina ele tem razão, mas se fazendo um exame de consciência você chegar à conclusão de que está unicamente fazendo o que é paga para fazer e que não dá para ter uma carreira e estar em casa para suprir todas as necessidades dele na hora em que ele quiser, acho que está racionalizando bem a situação. Maridos querem atenção, mas ele também precisa aprender a se virar quando você não está. Não é justo que ele reclame porque você está fora batalhando seu sustento e uma vida melhor para vocês. Ele terá que entender que em algum momento você terá que estar fora, não dá para estar o tempo todo em casa e ter uma carreira. Só se ele providenciar um clone para você.

2) Esquecer seus horários: Ele nunca sabe ao certo que dia você vai mais cedo, quando haverá uma reunião? Para mim isso é um sintoma. Ele está dando a entender que não valoriza o que você faz. Se não é importante, por que ele deveria ocupar a mente dele guardando detalhes a respeito?

3) Criticar seu chefe: Para ele seu chefe te sacrifica, explora, consegue louros às suas custas. Você é uma boba que não vê o quanto é explorada. Mas se ele é tão esperto, por que não usa toda essa esperteza com o chefe dele lá? Chefe é como bunda: cada um tem o seu e deve aprender a lidar com ele do seu jeito. Afinal quem está lá com o chefe todo dia é você, ninguém melhor que você para saber como agir.

4) Não move uma palha quando você não está: Outro “recadinho”. Ele não se sente responsável pela casa quando você não está. Ao contrário, quando ele está trabalhando, ele espera que você esteja em casa preparando tudo para que esteja OK quando ele chegar cansado. E por acaso mulher também não chega cansada? A gente também não merece chegar em casa e ver tudo arrumado? E onde está a tal “igualdade”? Igualdade só existe na hora de dividir as despesas da casa?

5) Ele acha chato ouvir você falar do trabalho: Ele pode passar horas se queixando do trabalho, colegas, chefe e clientes; se você começa a falar ele logo vem com uma solução simplista pra colocar um ponto final no assunto. Casamento é para o melhor e o pior. Se você não pode discutir seus problemas profissionais com ele, vai falar com quem? Com o Ricardão?

6) Ciúmes do seu trabalho: Quando ele começa a dizer que você se arruma pra ir trabalhar mas não se arruma mais pra ele; que se anima com seu trabalho mas não parece disposta pra ele; que dá mais atenção a colegas e clientes do que pra ele, são sinais de que ele está com ciúme. Basta que ele entenda que a atenção que você dedica ao trabalho é diferente de sua dedicação com ele e pode ser que ele entenda. Marido que diz que minha roupa não está de acordo com meu trabalho me faz pensar duas coisas: a) ele pensa que entende mais de moda do que eu; b) ele pensa que eu sou uma idiota que não sabe vestir roupas adequadas ao ambiente de trabalho.

As duas hipóteses estão equivocadas, eu não aceito que meu marido me diga como vou me vestir para trabalhar, da mesma forma que não dou pitaco na roupa que ele usa para ir para o escritório.

7) Ele se irrita quando ligam do trabalho para você: Em parte ele tem razão, assunto de trabalho deve ser discutido no trabalho e em casa devemos ser deixados em paz e sossego. Mas se é impossível evitar ele vai ter que entender e aceitar. E dependendo da sua profissão isso será inevitável. Aprender a “dividir” deve ser um processo a dois, nem você pode deixar que o trabalho invada sua casa e sua vida pessoal, nem ele pode ficar “de bico” por cada segundo “roubado”.

8) Ele liga pra checar se você está lá mesmo: Não existe nenhuma estatística que prove que mulher que trabalha tenha amantes e as que ficam em casa não. Eu não acredito que “a ocasião faz o ladrão”, antes acredito que “o ladrão aproveita a ocasião”, ou seja: quem quer trair, seja em casa ou no trabalho, sempre encontrará alguém disposto a compartilhar. O fato de trabalhar não “induz” ninguém a trair. Há toda uma conjunção de fatores: como estão as coisas em casa, o nível de entendimento dos parceiros, e não é o simples fato de trabalhar fora ou não que irá fazer com que alguém resolva trair. E eu sou partidária da ideia de que quem não confia deve dar linha na pipa.

9) Ele antipatiza com quem trabalha com você: Significa que ele “rejeita” seu trabalho, não quer saber de se “misturar”. A menos que você seja daquelas que chega em casa criticando todo mundo no escritório (e aí ele terá razões palpáveis para antipatizar com eles), antipatia gratuita me parece mais uma “negação”. Quanto mais distanciado ele estiver de seu trabalho, mais real será a sensação de que ele “não existe”.

10) Reclamar do seu salário: Quando você começa a trabalhar, implicita ou explicitamente concorda com o salário que lhe pagarão pelo que faz. Isso é uma prerrogativa sua e não dele. Ele concorda com o (ou discorda do) dele, e você com o (ou do) seu. Se você se sentir insatisfeita, será um problema profissional seu e não dele.

Ingerência familiar

Nem o chefe pode infernizar você em casa, nem seu marido pode tomar decisões em sua vida profissional. Cada um tem a sua vida fora e devem respeitar isso. Sempre que há uma ingerência indevida de qualquer das partes (marido, mulher, patrão) as coisas irão desandar. Deixar cada coisa em seu devido lugar é tarefa sua. Se seu marido se mete demais na sua vida profissional, talvez seja a hora de “uma conversa a dois”.

verdemarminuscula

quinta-feira, 10 de junho de 2010

O que é "assédio sexual"?

Como saber se a cantada do chefe é assédio sexual? Por definição assédio sexual é fazer uso do cargo ou autoridade sobre funcionário subalterno para obter favores sexuais. Se você deu bola pro chefe e ele a convidou pra sair, isso por si só não caracteriza assédio sexual. Pode ser antiético, mas assédio também pode não ser.

Agora, se o seu chefe ao menos insinuar, ou contar uma história comprida sobre uma funcionária que ele cantou e não topou e foi demitida, você está sofrendo assédio.

Normalmente quando sofremos assédio sexual (e quem é que já não sofreu?) algo em nosso interior dispara um alarme e nos sentimos desconfortavelmente constrangidas. Se começamos a "pisar em ovos" é porque lá no fundo sabemos que um "não" pode implicar em retaliações.

O problema do assédio sexual é que se não for devidamente provado (ao reclamante cabe o ônus da prova) a coisa não irá adiante e aí sim você sofrerá as consequências. Outras funcionárias que já "cederam à pressão", longe de apoiarem, podem não querer contar o que sofreram (afinal ninguém ficou sabendo e já é passado). 

Na verdade até eventuais testemunhas irão jurar de mãos sobre a Bíblia (as duas mãos se possível) que não viram nem ouviram nada, que não sabem de nada e que você é uma doida varrida, dessas de hospício mesmo, que tomam Gardenal pra não babar em cima da mesa, porque também querem preservar o emprego. Um chefe capaz de demitir uma funcionária que se negou a conceder favores sexuais também irá demitir qualquer um que testemunhar contra ele.

Infelizmente no Brasil até as vítimas de estupro são vistas com desconfiança, ainda prevalece a visão machista de que se o homem avançou é porque "a mulher deu corda", "deu entrada", "não se comportou como devia", "não se vestia como devia", e outras desculpas esfarrapadas que não justificam absolutamente nada.

Na verdade não interessa (ou não devia interessar) a roupa que você veste ou se é mais ou menos simpática. Se o chefe resolveu usar seu "poder" sobre você como funcionária para "forçá-la" a fazer algo que não quer fazer, é um canalha. 

Enquanto nós nos calarmos e cedermos, estamos dando nosso respaldo e contribuindo para que os canalhas como esse continuem sempre se saindo bem. Coragem, denuncie! Enfrente, ponha o salafrário em seu devido lugar. Se no final das contas você acabar sendo demitida, garanto que emprego a gente arranja outro mas os nossos valores, uma vez deixados de lado por causa de ameaças, pressão ou o que seja, infelizmente serão bem mais difíceis de restaurar.

Como eu disse lá no começo, a maioria de nós (infelizmente) sofre, sofreu ou sofrerá assédio sexual, de forma velada ou na cara dura mesmo. Será que vale a pena abrir mão de algo em que você acredita por causa de um emprego? Não sei quanto a você, mas garanto que "moral, virtude, sinceridade, honestidade", para mim têm mais valor que um emprego ou uma promoção. E cada vez que uma de nós cede, abre caminho para que muitas outras sejam pressionadas no futuro. Portanto, pense bem. Pense por você, e também por todas nós.

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Você leva seu trabalho a sério?

Tem muita mulher que reclama que mulher recebe salário menor que homem na mesma função, que batalha por igualdade de tratamento, igualdade de salário, igualdade em tudo enfim. Bate no peito e diz em alto e bom som pra quem quiser escutar que "nós, mulheres, somos tão boas funcionárias quanto qualquer homem - se não melhores".

Bacana, bato palmas para o teu discurso, até peço bis. Mas entre o discurso e a "vida real" existe pelo menos algo em comum ou é como nos filmes onde botam lá pra gente ler no final que "qualquer semelhança com a vida real é mera coincidência"?

Me desculpe aí o mau jeito, mas é que eu já trabalhei com umazinhas (e umazonas também) que tinham um discurso bem assim igual ao seu, mas que faltavam ao trabalho pra ir à festinha junina do filho de cinco anos. Ah, mas é claro que festinha de filho é importante, mas venhamos e convenhamos, a gente vai se pode, ou será que você é daquelas que aparece no trabalho só se "não tem nada mais importante pra fazer"?

Já tive colega que até ia trabalhar quando o filho estava doente (uma gripe, garganta inflamada, febre, ...) mas passava o dia todo se lamentando, ligando pra babá de 15 em 15 minutos (a febre baixou? dá um banho gelado nele, depois me liga...). E depois, as lágrimas rolando até no chão: "Ai, meu Deus. Corta o coração. Vocês precisavam ver a carinha desesperada dele na hora que eu saí pra trabalhar."

Sinto muito, colega. Em mais de 30 anos de profissão eu já deixei (muitas vezes) filho doente em casa, com alguém de confiança pra cuidar, o telefone do médico e as instruções pra dar o remédio do lado do telefone. Profissional tem que saber dividir as coisas. Problema de casa a gente deixa do lado de fora da porta do escritório. 

Insensível, eu? Então tá. Mas você já viu seu chefe dar piti porque o filho está gripado ou com febre?  Não, né? Ele deixa a mulher ou a sogra tomando conta e vai à luta. Ou será que os clientes irão esperar até a semana que vem, quando o filho dele estiver 100% pra fechar negócio? Ou os fornecedores serão bem compreensivos e passarão pra receber na semana que vem?

Você não sabe (ou não quer) separar sua vida profissional da pessoal? Eu acho que da mesma forma que não devemos levar serviço pra casa ou ficar enchendo os ouvidos do marido com os problemas do escritório, também devemos poupar os colegas (e principalmente o chefe) dos detalhes dos nossos problemas pessoais que - afinal de contas - são nossos.

Quando nos colocamos na posição de "pobres vítimas que tiveram que abandonar o filho doente em casa pra vir pro serviço" deixamos evidente que não levamos nosso trabalho tão a sério assim. Que ele não é nossa prioridade e que quando acontecer algo um pouco mais sério em casa, que se dane o chefe, ele não poderá contar conosco.

Eu entendo sua atitude, acho que todas entendemos. Mas não se queixe quando um colega homem ganhar mais que você, for promovido no seu lugar. Antes de reclamar, tente lembrar quantas vezes no último ano ele faltou ao serviço ou pediu para sair mais cedo pra assistir a apresentação de balé da filha; ou para ir ver como está o filho gripado em casa; ou porque a empregada deu o cano.

Se os homens conseguem lidar com os problemas caseiros para que não interfiram no seu trabalho, então merecem ganhar mais. Se você também consegue fazer isso, aqui vai um conselho: bata na porta do seu chefe e vá reclamar com ele, ficar reclamando com os outros funcionários ou fazendo "comício" na hora do cafezinho não vai aumentar suas chances de sucesso, só vai te dar fama de baderneira e incitadora, o que vai ganhar é que vai encabeçar a próxima lista de corte de funcionários. Reclamar direitos é uma coisa, tentar fazer a cabeça dos outros funcionários pra lutarem com você é incitação de desordem. E isso não aumenta o salário de ninguém, vai por mim.

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Creche perto da faculdade é um bom negócio?

Janela de creche
A leitora Dábita me pergunta se uma creche perto de uma faculdade é um bom negócio. Eu não entendo muito bem de "negócios", mas há alguns fatores a pensar e vale a pena pesquisar antes.

Seria interessante entregar panfletos às alunas e descobrir se têm filhos, com quem os deixam, se trabalham, se têm alguma fonte de renda (para pagar a creche) e se realmente a creche ficaria "perto" da faculdade.

Também há outros fatores a analisar: haveria um psicólogo responsável? Um pediatra? Ele ficaria de plantão o dia todo ou cobraria por consulta? Quem arcaria com as despesas? Que tipo de assistência a creche vai oferecer: recreação, aulas? Isso implica em contratar mais profissionais e mais custos.

A creche daria refeições ou as mães teriam que trazer? As crianças ficariam na creche apenas durante o período de aulas?

Sem fazer um levantamento sério fica complicado ter uma noção. Uma creche de verdade também implica em responsabilidades e há uma grande diferença entre uma creche que oferece um serviço completo (com pediatra, psicólogo, pessoal treinado para recreação, etc.) e "tomadores de conta" de crianças. Naturalmente que entre um tipo e outro há muitas variações. Para decidir você tem que saber exatamente quantas alunas estariam interessadas no serviço, quanto poderiam pagar, quanto você teria que dispor para pagar um aluguel de um imóvel para abrigar todo o equipamento e material necessário.

Há legislação a respeito e antes de mais nada você deveria consultar um especialista na área. Muitas creches são fechadas, os donos são multados ou presos porque estão completamente em desacordo com as normas vigentes. Lidar com os filhos dos outros, como diria meu filho adolescente, "é uma baita de uma responsa".

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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Os ajudantes ideais na cozinha

Será que mulher que trabalha fora e não tem empregada doméstica consegue dar conta do recado sem dezenas de "máquinas maravilhosas" para facilitar o trabalho doméstico? Eu confesso que não faço ideia como nossas antepassadas conseguiam sobreviver sem elas. Eu tenho dezenas dessas "ajudantes" que fazem meu trabalho mais simples. Além do indispensável forno de microondas, não se pode dispensar um multiprocessador. Ficar picando legumes horas a fio, perder toda a manhã na beira da pia ninguém merece!

Depois do multiprocessador e do liquidificador meu "melhor amigo" é o grill. Tem coisa mais prática? Enquanto ponho a mesa o bife fica pronto e a máquina desliga quando termina, não tenho que ficar "de olho", adeus gordura nas paredes! A gordura sai todinha no reservatório e ainda por cima fica muito mais gostoso e saudável.

A panela de fazer arroz foi outro achado, além de fazer ela resolve o problema de família que come em horas diferentes, como às vezes acontece em casa. Quando meu filho chega da faculdade o arroz ainda está quentinho. E sem adição de óleo na hora de cozinhar. Posso assistir TV ou fazer outra coisa qualquer enquanto ela está fazendo o arroz, quando fica pronto ela desliga e mantém a temperatura.

E você, que ajudantes tem em sua cozinha?


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quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Férias são pra descansar?


Agora estou de férias, aí vocês imaginam que estou descansando, fazendo caminhadas à tarde, ouvindo música e lendo livros. Que nada. Mulher que trabalha quando fica de férias acaba trabalhando mais ainda. O verbo que nos escraviza é o verbo "aproveitar".

Vou "aproveitar" que estou de férias e botar ordem na casa. Vou "aproveitar" as férias para organizar o computador. Vou "aproveitar" esses dias de descanso e deixar as aulas do semestre que vem já preparadas.

E assim vou "aproveitando" o tempo que tenho e acabo fazendo mais coisas do que faço quando não estou de férias. E acabo não "aproveitando" as férias. Coisas de workaholic.

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quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Mulher casada pode trabalhar?


Claro, me responderão todos. Pode e deve. Então tá.

Novela é um porre mas de vez em quando suscita algumas discussões interessantes, e é claro que você - ou alguém próximo de você - já passou por esse problema.

Casamento, tudo são flores. Eu respeito sua profissão - diz ele - dou o maiorrr apoio. Mas aí surge uma oportunidade no emprego dele. E ele pede gentilmente à esposa que arrume mala e tralha, peça a conta e se for brasileira que o siga.

E o trabalho dela? A carreira? Os sonhos? Nada disso entra na conta, minha filha. Na hora do "vamos ver", não importa se você é advogada e ele gari, e também não devia importar se ele for advogado e você margarida. Mas de qualquer forma você "pode" ter uma profissão desde que não atrapalhe a vida nem a profissão dele.

Pode trabalhar desde que:

- A comida não atrase.
- A casa fique limpa.
- As crianças estejam assistidas.
- Você não esteja cansada quando ele chegar.
- Você esteja sempre "a fim".
- E otras cositas más...

Então pode ou não pode? Dá com uma mão e tira com a outra? Como é que ficamos? Podemos casar tranquilas de que teremos nossa vida profissional respeitada ou será apenas considerada "bico temporário" se não tivermos nada mais importante para fazer, como paparicar o marido, lavar a roupa e a louça e etc, porque só de mencionar já estou ficando cansada...

E você, o que acha? Até que ponto o marido realmente respeita a profissão da mulher?

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Arroz e feijão todo dia!


A gente que trabalha fora sempre tem uns esquemas para burlar fazer o trabalho de casa, mas comida não tem jeito: as pessoas inventam de querer comer todo dia, e ainda por cima pelo menos 4 refeições. Assim não dá.

Eu que já estou em esquema de final de ano, trocentos deveres de casa para corrigir, novecentas miliumas revisões para preparar. E arroz não tem jeito, deixou de um dia pro outro fica aquela meleca, ou então duro. Mas como fazer todo dia?

Então vai aí a dica: compre uma panela de fazer arroz. Perfeita. Nem dá para errar nas medidas, já vem com o medidor, coloco lá 3 medidas de arroz (só lavado) + sal + tempero que quiser, aí boto água até na medida para 3 medidores de arroz, ligo e pronto... esqueço.

Ela demora, então eu vou fazer outra coisa, coloco lá pela 11, meio-dia vou almoçar, está pronto, quentinho, nem mole nem duro, nada de arroz grudado, grudento, cru, queimado. Ela mantém o arroz quente (sem ficar seco) durante 10 horas. E desliga sozinha quando fica pronto, fica só no aquecimento.

Ah, compra uma pra você. Eu não quero outra vida!

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quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Truques de mulher que trabalha fora


Mulher que trabalha fora tem que ter seus truques, senão a coisa desanda. Eu tenho os meus, claro. Acostumada a trabalhar fora desde os 18 anos, criei 5 filhos e cuidei de 5 maridos - e tinha que agradar os chefes, fazer tudo direitinho, chegar na hora e não faltar.

Mulher que trabalha não pode ficar escrava do trabalho de casa, tem que racionalizar para sobrar tempo para o serviço, a família e para si mesma. Para lavar roupa, por exemplo, eu tenho um esquema: nos dias pares lavo as roupas coloridas e já ponho as que precisam ficar de molho na água, como roupas brancas, roupa de cama e mesa e toalhas de banho. No dia seguinte eu lavo apenas as que ficaram de molho, e assim vou controlando.

Comida não dá para não programar, faço almoço que dê para almoço e janta, ou então faço a janta que já dê para o almoço, o que é melhor já que trabalho na parte da tarde, é só colocar no micro-ondas e está feito.

Limpar a casa, cada dia de manhã limpo um cômodo e só varro os outros. Como minha casa é pequena dá para limpar 2 vezes na semana. Na sexta, que estou de folga, aproveito para limpar tudo, faço uma faxina completa.

Mas meu marido já sabe, em época de provas nem conta com nada limpo quando chega em casa, só limpo 2 vezes por semana e olhe lá. Logo que terminam as provas estou de férias, o que significa que terei mais tempo para cuidar da casa.

Quando tinha filhos pequenos também tinha meus esquemas: banho à noite, iam limpinhas para a cama, e se esbaldavam de brincar durante o dia. A papinha eu fazia toda de uma vez, deixava nas vasilhas e durante o dia ia tirando da geladeira e esquentando em banho-maria. As fraldas sujas eu limpava na torneira do tanque e punha de molho no sabão em pó, de manhã iam para a máquina; as molhadas eu enxaguava e colocava em um balde só com água.

Não adianta tentar livrar-se do serviço de casa, então o melhor é racionalizar. E também não adianta querer ser a melhor funcionária, a melhor mãe e uma dona-de-casa perfeita. Alguma coisa vai ter que ficar em segundo plano, e eu escolhi o serviço de casa. Que - cá pra nós - eu detesto!

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segunda-feira, 9 de março de 2009

Ausência

Andei afastada do blog, imaginem o porquê? Claro, acertou que disse: o dever me chamava. Muito trabalho, e eu que diminuí o número de classes acabei inventando mais o que fazer. Cada dia encontro mais coisas para ocupar meu (já escasso) tempo. E livre mesmo, só sobra para dormir. Mulher tem dessas coisas, adora sentir-se ocupada e útil.

Eu sempre trabalhei, desde o momento em que a lei e a família me permitiram, no caso comecei aos 18 anos e continuo trabalhando, mesmo depois de aposentada. E além das aulas agora escrevo blogs de humor, blogs com crônicas, com poemas, de assuntos sérios, blogs, redes, comunidades e listas de ensino, tutoriais, arquivos, matérias e exercícios prontos para serem utilizados, e sei lá o que mais...

Projetos eu tenho de monte, tanto na área profissional quanto na pessoal. E assim vamos tocando a vida. Um dia minha tia comentou que eu vivo como se a vida fosse durar eternamente. Razão tem ela, porque aos 51 tenho planos para curto, médio e longo prazo. Sinto-me na adolescência, fitando um horizonte infinito, com múltiplas possibilidades. Um dia minha vida vai acabar, é certo. Mas quando esse momento chegar vai me pegar ou no meio de uma atividade, ou dormindo, coisa que ainda faço, meio a contra-gosto mas faço.

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domingo, 1 de fevereiro de 2009

Você tem tempo para o lazer?

Por lazer entenda qualquer coisa que você faça e que não envolva responsabilidade, que seja só para dar prazer a você e que não seja prioridade de outras pessoas. Trabalhar é bom mas os médicos apontam que a falta de tempo dedicado ao lazer pode produzir stress, que é o causador de muitas doenças.

Todo mundo precisa de um tempo dedicado a si mesmo e se você não tem acaba sentindo-se enjaulada num mundo cheio de cobranças e responsabilidades, sem espaço para você mesma. É sempre bom reservar algumas horas por semana para fazer alguma coisa que a gente gosta, se você acha que não tem tempo para isso, reserve um horário em sua agenda e não o preencha com outros compromissos de jeito nenhum. Toda vez que esse momento chegar, você sabe que é um tempo só para você, no qual pode fazer o que quiser.

Vale ir ao cinema, caminhar, ir à piscina, ao massagista, relaxar e ler, ouvir música... quem decide o que fazer com esse tempo reservado é você, de acordo com o que gosta de fazer. E não se sinta 'culpada' por recusar outros compromissos nesse horário, coloque a tag 'importante' e não desmarque de jeito nenhum. Nesse momento você tem um encontro marcado com uma pessoa muito importante: você mesma.

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sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Direitos da mulher - Direito a decidir ter ou não ter filhos e quando tê-los

A nossa sociedade sempre cobrou da mulher que cumprisse seu papel de esposa e mãe e para a maioria de seus membros é inadmissível que uma mulher queira permanecer solteira e 'casar-se' com a profissão que escolheu. Pode ser que ela opte por ter seus filhos mesmo não sendo casada, o que no passado fazia com que ela se transformasse numa pária, vivendo à margem da sociedade.

Hoje pelo menos teoricamente já é aceito que a mulher solteira tenha filhos, mas o fato de recusar-se a casar ou casando, que opte por não ter filhos é visto como algo 'anti-natural'. Se ela não tiver uma desculpa à altura, tipo infertilidade dela ou do marido, sempre terá que responder a um questionário até que se convençam as pessoas de que ela não tem um parafuso a menos não, apenas optou por não ter filhos.

Sou contra o aborto, o que significa que eu não o praticaria sob nenhuma circunstância, mas acho que isso é uma decisão de cada uma, eu por meus valores éticos, morais e religiosos considero o aborto um crime, mas quem considera de outra forma tem todo o direito de decidir. Acho complicado explicar a uma mulher que ela não tem o direito de interromper uma gravidez quando ela sente um 'intruso' crescendo dentro de si mesma. Deve ser complicado para quem é a favor do aborto sentir uma criança que não quer e não planejou crescendo dentro de suas entranhas e ser impedida por lei de impedir que ela entre de vez na sua vida - e para sempre.

Eu dou valor acima de tudo à vida humana, mas há pessoas que crêem que um filho arrasaria suas vidas, então vida é vida e cada um é que sabe o efeito que um filho poderia ter sobre seu destino. Como eu disse, tenho minha opinião mas respeito o direito de decisão que a mulher deve ter, que entendo que não deva ser tolhido ou incentivado por essa ou aquela lei.

Considero que há meios contraceptivos em profusão e que podem ser usados sempre que não se deseje uma gravidez mas se por acaso falharem ou se a mulher se arrepender depois, isso é lá com ela e eu não questionaria jamais o direito que ela tem de fazer o que bem entender. Se uma amiga ou filha minha fosse fazer um aborto eu não moveria uma palha para ajudar ou tornar as coisas mais confortáveis e diria claramente que sou contra - mas daí para a frente é com ela.

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sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Onde deixar os filhos?


Esse é um problema antigo, o tempo passa e pouco se faz para melhorar o panorama. A mulher tem que trabalhar e com quem ficam os filhos?

A avó ou tia

Deixar com uma pessoa da família é uma boa opção, mas como todas tem seus prós e contras. Se por um lado ficar com alguém da família tranquiliza porque se sabe que é alguém que tem laços afetivos e de sangue com a criança, além de ser uma pessoa próxima e que conhecemos bem, há a desvantagem da interferência porque nem sempre a avó ou tia concorda com o tipo de educação que damos ao nosso filho, e como fazem parte da família e tomam conta da criança uma boa parte do dia podem sentir-se no direito de interferir diretamente na educação e nas decisões que envolvem o futuro ou o bem-estar da criança.

As coisas precisam ser muito bem conversadas antes e os limites estabelecidos desde cedo, os pais devem deixar claro desde cedo que não estão abrindo mão de parte do controle sobre a criança mas sim deixando-a ao cargo da avó uma parte do dia para trabalhar. Deve também ficar bem claro se a criança irá para a casa da pessoa ou se a pessoa ficará na casa da criança durante o tempo em que passará com ela. Também pode-se conversar sobre uma 'compensação financeira simbólica' no caso de a pessoa passar muito tempo com a criança.

Creches

As empresas com um determinado número de funcionários seriam teoricamente obrigadas por lei a manter uma creche para suas funcionárias, mas nem sempre isso é cumprido. Algumas empresas têm convênios com creches ou têm um programa de administração parcial. Consulte o departamento pessoal de sua empresa ou fale com funcionárias que também têm filhos. Isso pode inclusive facilitar pois vocês poderão revezar-se para levar ou buscar as crianças, economizando tempo e dinheiro.

No caso de sua empresa não ter um programa de creches, consulte suas vizinhas e opte por alguma em seu bairro, mas é importante que você vá antes verificar e que todas as suas dúvidas sejam respondidas a contento. Também é interessante levar a criança para que se acostume com a idéia aos poucos. No início pode ser traumático mas aos poucos ela deve se adaptar, e se isso não acontecer você deve analisar porque isso está ocorrendo e se for o caso, trocar de creche.

Babá

É comum as crianças ficarem com uma babá ou empregada doméstica, mas antes de contratá-la é importante pedir referências e checá-las. Também é importante checar o endereço (ofereça-se para levá-la em casa) e fazer algumas perguntas para saber de sua experiência anterior com crianças e como lida com elas.

Infelizmente para trabalhar somos obrigadas a ficar boa parte do dia fora, e como nossas crianças não podem ficar sós é necessário providenciar quem fique com elas. Haverá erros mas temos que aprender a superá-los e aprender com eles. Não se desespere porque 'faz parte' e lembre-se de que você não está só, estamos todas no mesmo barco.

O que importa é a qualidade

É importante conviver com a criança mas ela também deve aprender a se relacionar com outros adultos fora do meio familiar e tenha a certeza de que no final das contas isso será benéfico para ela. E lembre-se de que em se tratando da atenção que você dá à criança, o importante é a qualidade e não a quantidade. Mais vale uma mãe que chega em casa satisfeita por ter cumprido seu dever de trabalhadora e que contribui para o sustento da casa e que está com saudade e disposta a ouvir como foi o dia da criança que uma mãe frustrada e sem paciência, que grita com ela o dia todo.

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Direito a construir relacionamento conjugal e a planejar sua família


Quem decide quando ter filhos? Eu imagino que deva ser resultado de consenso entre marido e mulher, mas ou o marido é quem decide ou (na maioria das vezes) deixa isso para que a mulher se preocupe. Quando desejam parar de ter filhos é a mulher quem faz a cirurgia, mesmo com o pós-operatório doloroso se comparado à rapidez e simplicidade da cirurgia masculina. São raros os que fazem a histerectomia quando desejam parar de ter filhos.

As muito jovens têm mesmo acesso à informação sobre como evitar os filhos? E sabem exatamente o que implica no ato de ter filhos ou será que imaginam que 'ter um filho é uma forma de prender um homem'? Será que estamos respeitando o direito de nossas filhas, dando a elas uma educação sexual completa para que saibam exatamente o que estão fazendo?

Para ter o direito a planejar sua família as mulheres precisam saber como fazer isso. Ainda é grande o número de mulheres que vivem em completa ignorância sobre como funciona seu corpo e as responsabilidades de pôr um filho no mundo. Se as ensinamos a ler e escrever, porque esse tabu do sexo? Não é melhor informar para que façam da forma certa e de maneira responsável do que deixá-las na ignorância para que façam experiências com o próprio corpo e com a própria vida?

Para que esse direito seja exercido em sua plenitude é necessário que a sociedade abandone a atitude hipócrita de fazer de conta que sexo não existe. Encarar o fato de que a informação é um direito da mulher é uma forma de fazer com que ela conquiste o direito de exercer sua liberdade com responsabilidade.

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quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Direito à saúde e à proteção desta


Essa semana mesmo eu vi no noticiário que duas mulheres, em regiões diferentes do Brasil, morreram no parto porque não foram assistidas a tempo. Será que voltaremos ao tempo das parteiras e dos partos em casa? Será que nem ter nossos bebês em hospitais com a assistência de um médico podemos?

E esse governo alega que já fez muito pela saúde. Mas será que isso nos assegura direito à saúde? Que condição o Estado dá à mulher para fazer seu pré-natal, seu exame de prevenção de câncer no útero, seu acompanhamento pós-parto?

Quantas mulheres sofrem de depressão pós-parto, cólicas menstruais ou TPM hoje no Brasil? Será que existem estatísticas? Quanto está sendo investido para encontrar remédios efetivos para esses males?

Acredito que quando se trata de doenças 'tipicamente femininas' não há interesse algum em pesquisar e solucionar, a maioria dos pesquisadores é homem, pra que vão se preocupar com cólicas e depressões? Eles esperam que nós aprendamos a conviver com esses problemas porque somos mulheres, então temos que nos acostumar à dor e ao desconforto.

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quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Direito à privacidade


Quando uma pessoa (seja chefe, marido ou pai) viola correspondência, revira gavetas ou fuça nas ligações de outra pessoa está violando sua privacidade. Isso é entendido quando se trata de um homem mas é desrespeitado quando se trata de mulheres.

Já vi garotas cujas mães fiscalizavam o lixinho do banheiro e que eram submetidas a rigorosos interrogatórios se por acaso não fossem encontrados absorventes em certos dias do mês. Ora bolas, será que isso é respeitar a privacidade da pessoa?

Quando eu estudava em colégio de freiras era comum os pais levarem as filhas ao médico para um vexatório 'teste de virgindade', claro que contra a vontade delas. E isso não é quase um 'estupro'? Em algumas regiões isso não chega a tanto, mas as filhas são mantidas sob rigorosa vigilância, os filhos façam o que quiserem com as filhas dos outros.

Será que não há aí uma certa dose de hipocrisia? Será que esse tratamento não está um pouco distante da realidade que vivemos? Será que o marido que vigia a esposa não é pouco confiável? Porque pra mim das duas uma: ou ele não confia na mulher (então o melhor é separar-se, já que um relacionamento baseia-se em confiança mútua) ou ele é indigno de confiança e julga os outros por si.

Seja lá o que for, nada justifica que a mulher seja tratada como um prisioneiro, que perde não só a liberdade como a privacidade quando entra na prisão. Não temos que passar por revistas; não temos que ser vigiadas; não temos que ser seguidas ou ter nossas ligações telefônicas ouvidas ou questionadas. Somos seres humanos e temos direito à privacidade.

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