domingo, 27 de março de 2011

Seu marido sabota sua carreira?

mulher trabalhoTeoricamente vocês estão lutando juntos por um objetivo comum e tudo o que for bom pra você também será bom pra ele, mas será que na prática essa teoria é verdadeira?

De grão em grão…

Muitos maridos têm a melhor das intenções mas mesmo que inconscientemente acabam sabotando as chances de sucesso de suas esposas. São pequenos detalhes aqui e ali que irão aos poucos reduzindo o “gás” que ela poderia dedicar a carreira.

Sabe aquele ditado “água mole em pedra dura”? Ele é muito verdadeiro nesse caso, porque gota a gota seu marido pode estar destilando um veneninho (mesmo que não seja totalmente voluntário) que irá aos poucos retirar sua vontade de seguir em frente em sua carreira, você irá se afundar num mar de culpa e acabará vendo sua promissora carreira como um “emprego” chato, que a priva de sua verdadeira “missão”.

Sinais de alerta

1) Reclamar de seus horários: Marido que reclama do horário de trabalho da mulher está dando um “recado” e é bom abrir os olhos para não se enganar. Se você está usando seu trabalho para fugir de sua rotina ele tem razão, mas se fazendo um exame de consciência você chegar à conclusão de que está unicamente fazendo o que é paga para fazer e que não dá para ter uma carreira e estar em casa para suprir todas as necessidades dele na hora em que ele quiser, acho que está racionalizando bem a situação. Maridos querem atenção, mas ele também precisa aprender a se virar quando você não está. Não é justo que ele reclame porque você está fora batalhando seu sustento e uma vida melhor para vocês. Ele terá que entender que em algum momento você terá que estar fora, não dá para estar o tempo todo em casa e ter uma carreira. Só se ele providenciar um clone para você.

2) Esquecer seus horários: Ele nunca sabe ao certo que dia você vai mais cedo, quando haverá uma reunião? Para mim isso é um sintoma. Ele está dando a entender que não valoriza o que você faz. Se não é importante, por que ele deveria ocupar a mente dele guardando detalhes a respeito?

3) Criticar seu chefe: Para ele seu chefe te sacrifica, explora, consegue louros às suas custas. Você é uma boba que não vê o quanto é explorada. Mas se ele é tão esperto, por que não usa toda essa esperteza com o chefe dele lá? Chefe é como bunda: cada um tem o seu e deve aprender a lidar com ele do seu jeito. Afinal quem está lá com o chefe todo dia é você, ninguém melhor que você para saber como agir.

4) Não move uma palha quando você não está: Outro “recadinho”. Ele não se sente responsável pela casa quando você não está. Ao contrário, quando ele está trabalhando, ele espera que você esteja em casa preparando tudo para que esteja OK quando ele chegar cansado. E por acaso mulher também não chega cansada? A gente também não merece chegar em casa e ver tudo arrumado? E onde está a tal “igualdade”? Igualdade só existe na hora de dividir as despesas da casa?

5) Ele acha chato ouvir você falar do trabalho: Ele pode passar horas se queixando do trabalho, colegas, chefe e clientes; se você começa a falar ele logo vem com uma solução simplista pra colocar um ponto final no assunto. Casamento é para o melhor e o pior. Se você não pode discutir seus problemas profissionais com ele, vai falar com quem? Com o Ricardão?

6) Ciúmes do seu trabalho: Quando ele começa a dizer que você se arruma pra ir trabalhar mas não se arruma mais pra ele; que se anima com seu trabalho mas não parece disposta pra ele; que dá mais atenção a colegas e clientes do que pra ele, são sinais de que ele está com ciúme. Basta que ele entenda que a atenção que você dedica ao trabalho é diferente de sua dedicação com ele e pode ser que ele entenda. Marido que diz que minha roupa não está de acordo com meu trabalho me faz pensar duas coisas: a) ele pensa que entende mais de moda do que eu; b) ele pensa que eu sou uma idiota que não sabe vestir roupas adequadas ao ambiente de trabalho.

As duas hipóteses estão equivocadas, eu não aceito que meu marido me diga como vou me vestir para trabalhar, da mesma forma que não dou pitaco na roupa que ele usa para ir para o escritório.

7) Ele se irrita quando ligam do trabalho para você: Em parte ele tem razão, assunto de trabalho deve ser discutido no trabalho e em casa devemos ser deixados em paz e sossego. Mas se é impossível evitar ele vai ter que entender e aceitar. E dependendo da sua profissão isso será inevitável. Aprender a “dividir” deve ser um processo a dois, nem você pode deixar que o trabalho invada sua casa e sua vida pessoal, nem ele pode ficar “de bico” por cada segundo “roubado”.

8) Ele liga pra checar se você está lá mesmo: Não existe nenhuma estatística que prove que mulher que trabalha tenha amantes e as que ficam em casa não. Eu não acredito que “a ocasião faz o ladrão”, antes acredito que “o ladrão aproveita a ocasião”, ou seja: quem quer trair, seja em casa ou no trabalho, sempre encontrará alguém disposto a compartilhar. O fato de trabalhar não “induz” ninguém a trair. Há toda uma conjunção de fatores: como estão as coisas em casa, o nível de entendimento dos parceiros, e não é o simples fato de trabalhar fora ou não que irá fazer com que alguém resolva trair. E eu sou partidária da ideia de que quem não confia deve dar linha na pipa.

9) Ele antipatiza com quem trabalha com você: Significa que ele “rejeita” seu trabalho, não quer saber de se “misturar”. A menos que você seja daquelas que chega em casa criticando todo mundo no escritório (e aí ele terá razões palpáveis para antipatizar com eles), antipatia gratuita me parece mais uma “negação”. Quanto mais distanciado ele estiver de seu trabalho, mais real será a sensação de que ele “não existe”.

10) Reclamar do seu salário: Quando você começa a trabalhar, implicita ou explicitamente concorda com o salário que lhe pagarão pelo que faz. Isso é uma prerrogativa sua e não dele. Ele concorda com o (ou discorda do) dele, e você com o (ou do) seu. Se você se sentir insatisfeita, será um problema profissional seu e não dele.

Ingerência familiar

Nem o chefe pode infernizar você em casa, nem seu marido pode tomar decisões em sua vida profissional. Cada um tem a sua vida fora e devem respeitar isso. Sempre que há uma ingerência indevida de qualquer das partes (marido, mulher, patrão) as coisas irão desandar. Deixar cada coisa em seu devido lugar é tarefa sua. Se seu marido se mete demais na sua vida profissional, talvez seja a hora de “uma conversa a dois”.

verdemarminuscula

quinta-feira, 10 de junho de 2010

O que é "assédio sexual"?

Como saber se a cantada do chefe é assédio sexual? Por definição assédio sexual é fazer uso do cargo ou autoridade sobre funcionário subalterno para obter favores sexuais. Se você deu bola pro chefe e ele a convidou pra sair, isso por si só não caracteriza assédio sexual. Pode ser antiético, mas assédio também pode não ser.

Agora, se o seu chefe ao menos insinuar, ou contar uma história comprida sobre uma funcionária que ele cantou e não topou e foi demitida, você está sofrendo assédio.

Normalmente quando sofremos assédio sexual (e quem é que já não sofreu?) algo em nosso interior dispara um alarme e nos sentimos desconfortavelmente constrangidas. Se começamos a "pisar em ovos" é porque lá no fundo sabemos que um "não" pode implicar em retaliações.

O problema do assédio sexual é que se não for devidamente provado (ao reclamante cabe o ônus da prova) a coisa não irá adiante e aí sim você sofrerá as consequências. Outras funcionárias que já "cederam à pressão", longe de apoiarem, podem não querer contar o que sofreram (afinal ninguém ficou sabendo e já é passado). 

Na verdade até eventuais testemunhas irão jurar de mãos sobre a Bíblia (as duas mãos se possível) que não viram nem ouviram nada, que não sabem de nada e que você é uma doida varrida, dessas de hospício mesmo, que tomam Gardenal pra não babar em cima da mesa, porque também querem preservar o emprego. Um chefe capaz de demitir uma funcionária que se negou a conceder favores sexuais também irá demitir qualquer um que testemunhar contra ele.

Infelizmente no Brasil até as vítimas de estupro são vistas com desconfiança, ainda prevalece a visão machista de que se o homem avançou é porque "a mulher deu corda", "deu entrada", "não se comportou como devia", "não se vestia como devia", e outras desculpas esfarrapadas que não justificam absolutamente nada.

Na verdade não interessa (ou não devia interessar) a roupa que você veste ou se é mais ou menos simpática. Se o chefe resolveu usar seu "poder" sobre você como funcionária para "forçá-la" a fazer algo que não quer fazer, é um canalha. 

Enquanto nós nos calarmos e cedermos, estamos dando nosso respaldo e contribuindo para que os canalhas como esse continuem sempre se saindo bem. Coragem, denuncie! Enfrente, ponha o salafrário em seu devido lugar. Se no final das contas você acabar sendo demitida, garanto que emprego a gente arranja outro mas os nossos valores, uma vez deixados de lado por causa de ameaças, pressão ou o que seja, infelizmente serão bem mais difíceis de restaurar.

Como eu disse lá no começo, a maioria de nós (infelizmente) sofre, sofreu ou sofrerá assédio sexual, de forma velada ou na cara dura mesmo. Será que vale a pena abrir mão de algo em que você acredita por causa de um emprego? Não sei quanto a você, mas garanto que "moral, virtude, sinceridade, honestidade", para mim têm mais valor que um emprego ou uma promoção. E cada vez que uma de nós cede, abre caminho para que muitas outras sejam pressionadas no futuro. Portanto, pense bem. Pense por você, e também por todas nós.

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Você leva seu trabalho a sério?

Tem muita mulher que reclama que mulher recebe salário menor que homem na mesma função, que batalha por igualdade de tratamento, igualdade de salário, igualdade em tudo enfim. Bate no peito e diz em alto e bom som pra quem quiser escutar que "nós, mulheres, somos tão boas funcionárias quanto qualquer homem - se não melhores".

Bacana, bato palmas para o teu discurso, até peço bis. Mas entre o discurso e a "vida real" existe pelo menos algo em comum ou é como nos filmes onde botam lá pra gente ler no final que "qualquer semelhança com a vida real é mera coincidência"?

Me desculpe aí o mau jeito, mas é que eu já trabalhei com umazinhas (e umazonas também) que tinham um discurso bem assim igual ao seu, mas que faltavam ao trabalho pra ir à festinha junina do filho de cinco anos. Ah, mas é claro que festinha de filho é importante, mas venhamos e convenhamos, a gente vai se pode, ou será que você é daquelas que aparece no trabalho só se "não tem nada mais importante pra fazer"?

Já tive colega que até ia trabalhar quando o filho estava doente (uma gripe, garganta inflamada, febre, ...) mas passava o dia todo se lamentando, ligando pra babá de 15 em 15 minutos (a febre baixou? dá um banho gelado nele, depois me liga...). E depois, as lágrimas rolando até no chão: "Ai, meu Deus. Corta o coração. Vocês precisavam ver a carinha desesperada dele na hora que eu saí pra trabalhar."

Sinto muito, colega. Em mais de 30 anos de profissão eu já deixei (muitas vezes) filho doente em casa, com alguém de confiança pra cuidar, o telefone do médico e as instruções pra dar o remédio do lado do telefone. Profissional tem que saber dividir as coisas. Problema de casa a gente deixa do lado de fora da porta do escritório. 

Insensível, eu? Então tá. Mas você já viu seu chefe dar piti porque o filho está gripado ou com febre?  Não, né? Ele deixa a mulher ou a sogra tomando conta e vai à luta. Ou será que os clientes irão esperar até a semana que vem, quando o filho dele estiver 100% pra fechar negócio? Ou os fornecedores serão bem compreensivos e passarão pra receber na semana que vem?

Você não sabe (ou não quer) separar sua vida profissional da pessoal? Eu acho que da mesma forma que não devemos levar serviço pra casa ou ficar enchendo os ouvidos do marido com os problemas do escritório, também devemos poupar os colegas (e principalmente o chefe) dos detalhes dos nossos problemas pessoais que - afinal de contas - são nossos.

Quando nos colocamos na posição de "pobres vítimas que tiveram que abandonar o filho doente em casa pra vir pro serviço" deixamos evidente que não levamos nosso trabalho tão a sério assim. Que ele não é nossa prioridade e que quando acontecer algo um pouco mais sério em casa, que se dane o chefe, ele não poderá contar conosco.

Eu entendo sua atitude, acho que todas entendemos. Mas não se queixe quando um colega homem ganhar mais que você, for promovido no seu lugar. Antes de reclamar, tente lembrar quantas vezes no último ano ele faltou ao serviço ou pediu para sair mais cedo pra assistir a apresentação de balé da filha; ou para ir ver como está o filho gripado em casa; ou porque a empregada deu o cano.

Se os homens conseguem lidar com os problemas caseiros para que não interfiram no seu trabalho, então merecem ganhar mais. Se você também consegue fazer isso, aqui vai um conselho: bata na porta do seu chefe e vá reclamar com ele, ficar reclamando com os outros funcionários ou fazendo "comício" na hora do cafezinho não vai aumentar suas chances de sucesso, só vai te dar fama de baderneira e incitadora, o que vai ganhar é que vai encabeçar a próxima lista de corte de funcionários. Reclamar direitos é uma coisa, tentar fazer a cabeça dos outros funcionários pra lutarem com você é incitação de desordem. E isso não aumenta o salário de ninguém, vai por mim.

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